Lideranças comentam sobre o que esperam do próximo mandato de Lula

A reportagem da Gazeta de Vargem Grande entrevistou várias lideranças políticas, empresariais e do agronegócio sobre o que acharam das eleições presidenciais que aconteceram recentemente no Brasil e também o que esperam do próximo governo do presidente Lula (PT), reeleito para seu quarto mandato.

Jair Gabricho, empresário: Pela primeira vez desde que conquistei o direito ao voto, não pude exercer esse direito em razão de uma viagem internacional. Considero que a prorrogação do horário de votação foi uma decisão justa e necessária.
A democracia não se resume à apuração dos votos, mas começa pela garantia de que cada cidadão tenha condições de manifestar livremente sua escolha. Pelos resultados, a medida não teve influência determinante sobre o resultado final da eleição. Entretanto, isso, a meu ver, não diminui sua importância.
Na minha avaliação, a decisão demonstrou respeito ao eleitor e uma postura de imparcialidade da Justiça Eleitoral, que deve sempre colocar a liberdade e o direito ao voto acima de qualquer interesse político ou partidário. A democracia se fortalece quando as instituições garantem o direito de escolha do cidadão, independentemente de quem seja o vencedor. Essa é a minha opinião.
Para finalizar essa questão, as duas horas a mais de votação representaram mais de 34 mil votos, enquanto a diferença final foi de aproximadamente 4.400 votos.
Sobre a segunda pergunta, a respeito do que espero do presidente eleito para seu próximo mandato, espero que ele tenha disposição e, principalmente, coragem para conduzir a administração de maneira diferente do terceiro mandato, o atual.
Como empresário, aprendi que não existe administração sustentável quando se gasta continuamente mais do que se arrecada. Essa regra vale para uma família, para uma empresa e, sobretudo, para um país.
O Brasil precisa urgentemente de responsabilidade fiscal, controle efetivo dos gastos públicos e uma reforma administrativa que enfrente o tamanho e o custo da máquina estatal. Não podemos continuar exigindo cada vez mais sacrifícios de quem trabalha, produz, empreende e paga impostos, enquanto o próprio Estado demonstra enorme dificuldade em reduzir despesas e combater desperdícios.
Outro tema que considero indispensável é a revisão das distorções existentes entre os diferentes regimes previdenciários. Precisamos buscar maior equilíbrio entre os trabalhadores da iniciativa privada, que representam a grande maioria, e os servidores públicos federais, estaduais e municipais, respeitando, obviamente, os direitos adquiridos, mas enfrentando privilégios e desigualdades que oneram a sociedade.
Não defendo um Estado ausente, mas um Estado eficiente, que custe menos, entregue mais e respeite quem sustenta a economia brasileira.
Poderia mencionar inúmeras outras reformas que considero necessárias, mas correria o risco de transformar a resposta a duas perguntas em um verdadeiro projeto de governo ou, talvez, em uma lista de sonhos para o Brasil.
Encerro dizendo que, independentemente de quem venceu as eleições, torço pelo sucesso do presidente, pois o sucesso de um governo deve representar o sucesso do Brasil. O que espero não são discursos ou promessas, mas decisões responsáveis, coragem para enfrentar problemas históricos e resultados concretos para a população brasileira.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor insira seu comentário
Por favor insira seu nome aqui