Hoje existem novos modelos de famílias

A ausência da figura paterna afeta diretamente a formação da identidade do jovem

Em tempos em que os modelos familiares se diversificam cada vez mais, o papel do pai na formação dos filhos continua sendo tema de debate e reflexão. Em Vargem Grande do Sul, a assistente social que trabalha na prefeitura municipal, Maisse Colombo da Silva, atuando há 16 anos na rede pública e também como perita social da Justiça Federal e analista do comportamento, compartilha sua visão sobre a importância da figura paterna no desenvolvimento infantil, e como a ausência dessa presença tem impactado as famílias atendidas pelos serviços socioassistenciais do município.


“Entendo a função paterna como um diferencial no desenvolvimento de um indivíduo. Porém, enfrentamos novos modelos de família. Muitas vezes, são as mães, avós, tios ou irmãos mais velhos que assumem essa função de cuidado e proteção”, afirma Maisse.
No contexto do serviço público, ela atua diretamente na gestão e orientação técnica das equipes que acompanham famílias em situação de vulnerabilidade. No entanto, sua experiência se estende também ao trabalho clínico com crianças e famílias fora da prefeitura, o que a permite ter uma visão ampla das diversas configurações familiares presentes na realidade local.


“A maioria das nossas crianças vêm de famílias que já não seguem o modelo tradicional, aquele pai, mãe e filho. Normalmente, é a mãe quem mora com a avó, ou o irmão mais velho que leva e busca nas atividades. Então, nós flexibilizamos as ações e evitamos comemorações como o Dia dos Pais da forma tradicional”, explica.


Segundo Maisse, as datas comemorativas que destacam figuras parentais específicas muitas vezes acabam gerando sentimentos de exclusão nas crianças. “Fazemos sempre uma reflexão, uma menção, mas nada que remeta fortemente à figura paterna, para que a criança não se sinta desamparada. O que vemos é que, na maioria das famílias, o pai está ausente, seja física ou afetivamente. A mãe é quem assume o papel de arrimo, quem protege, traz o sustento e cuida do lar.”


Além das dificuldades emocionais, há ainda o abandono financeiro, que, segundo a assistente social, é um problema recorrente. “A maioria dos pais não paga a pensão. Mesmo com a lei que exige o nome do pai no registro da criança, muitos não assumem a responsabilidade financeira. Isso traz um impacto grande. A criança sente quando não tem o tênis para ir à escola, quando não tem uma roupa adequada, porque a mãe está lutando para, pelo menos, garantir a comida.”


Contudo, para Maisse, o maior prejuízo é o abandono afetivo. “São essas crianças que esperam… Muitas vezes tiveram alguma convivência com o pai e, de repente, são penalizadas pelo abandono. Isso, para mim, é o maior dano possível na vida de uma criança ou adolescente. A ausência da figura paterna afeta diretamente a formação da identidade desse jovem.”


Ela ressalta que, além do trabalho com crianças e famílias, as ações da prefeitura também incluem os idosos, muitos deles pais que enfrentam outro tipo de ausência, agora como avôs que perderam o vínculo com os filhos. “Trabalhamos com os dois lados: filhos e pais. Na próxima semana, vamos realizar atividades com os idosos do Centro de Convivência, trazendo reflexões sobre a paternidade e as relações familiares ao longo da vida.”


Maisse finaliza com uma observação sensível: “Além do material, o filho precisa do amparo afetivo para se desenvolver. Uma reunião na escola, uma ajuda na lição… São atenções que ele leva para a vida inteira. As crianças sentem falta. Elas aprendem a comparar.”
A fala da assistente social aponta para um caminho importante: reconhecer a diversidade das composições familiares, sem perder de vista a importância dos vínculos afetivos, especialmente daqueles que deveriam ser garantidos pela presença paterna.

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