Sem lei, antigo casarão dos Dutra começa a ser demolido

Antigo casarão histórico da Rua Batista Figueiredo está sendo demolido. Foto: Reportagem
Outro casarão demolido no final do ano passado, mostra a falta de interesse das autoridades em preservar o patrimônio histórico. Foto: Arquivo Gazeta

Sem nenhuma lei que proteja a preservação do Patrimônio Natural e Cultural do município de Vargem Grande do Sul, mais um antigo casarão histórico do período do café, está sendo demolido no município. Trata-se do antigo casarão construído no início do século passado, localizado na esquina das ruas Batista Figueiredo com a Moacir Troncoso Peres, deverá deixar de existir, segundo apurou a reportagem da Gazeta de Vargem Grande junto aos trabalhadores que estavam cercando o imóvel para sua demolição.
Um projeto de lei neste sentido foi apresentado pelos vereadores Felipe Augusto Gadiani (PSD), Gustavo Henrique Bueno (PL) e vereadora Vanessa Salmaço Martin (PL), mas foi arquivado no começo do ano, com alegações que competia ao Poder Executivo a iniciativa do projeto, cabendo então a iniciativa ao chefe do Executivo, mas nada andou até a presente data.
No findar de 2024, mais precisamente no domingo do dia 29 de dezembro, Vargem Grande do Sul perdeu também mais uma de suas referências históricas antigas, que a ligava ao antigo ciclo do café, que gerou muita riqueza na cidade, com a demolição do antigo casarão que pertenceu à família de Hildebrando Cossi, ao lado do Supermercado União, na esquina da Av. Regato e hoje é somente um terreno vazio.
O casarão da esquina da Rua Batista Figueiredo que está sendo demolido agora, como descreveu a matéria publicada pela Gazeta de Vargem Grande em setembro de 1995, era uma enorme casa que enchia os olhos pela beleza contida nos traços e pelo estilo tradicionalíssimo dos anos de 1920, época áurea do café, quando ela foi construída. Obra assinada pelo arquiteto José Speria, o mais procurado pelos ricos cafeicultores da época, sua construção foi idealizada pelo Capitão Teco (Manuel de Andrade), servindo como sua moradia.
Casa de porão alto, construída seguindo os padrões da época, a casa tem varanda do lado, diferenciando-a das demais que tinham varanda na frente. “Elegante pelo seu porte e clássica pelo estilo, desde sua construção tinha sofrido poucas modificações em sua estrutura, sendo restaurada em 1975, pelo empresário Carlos Dutra, já falecido, cuja família a vendeu para o atual proprietário que vai demoli-la, como já aconteceu com o antigo casarão que foi de Hildebrando Cossi, também demolida recentemente.
Na edição do dia 26 de setembro de 1995, o jornalista Tadeu Fernando Ligabue escreveu uma matéria onde focou os antigos casarões de Vargem Grande do Sul e suas histórias. Dentre os muitos imóveis históricos da cidade que ainda não tinham sido demolidos, estava o casarão que em breve irá ao chão, uma vez que não há no município, nenhuma lei que proteja o seu patrimônio histórico.
Desde a publicação da matéria em 1995, vários imóveis históricos foram demolidos, inclusive a icônica estação ferroviária da antiga Mogiana, que foi totalmente demolida e no seu lugar construído um prédio pela família que a comprou do Estado. Várias cidades da região têm leis que protegem seu patrimônio histórico, como São José do Rio Pardo.
A matéria publicada pela Gazeta de Vargem Grande tratando da questão da demolição do casarão da Rua Batista Figueiredo nas suas redes sociais, teve mais de uma centena de comentários, a maioria se posicionando contra a demolição e pedindo uma solução para as autoridades municipais, que até o presente momento, não se mostram sensibilizados com a perda da história do patrimônio natural e cultural do município.
Vale aqui ressaltar a atitude do então prefeito Amarildo Duzi Moraes que teve a ousadia na época de adquirir pelo poder público municipal, um dos casarões históricos mais bonitos e emblemáticos da cidade, localizado na esquina da Praça da Matriz, que hoje abriga o Departamento de Educação de Vargem Grande do Sul, preservando-o da demolição que seria certa em 2018.

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