Golpe do falso advogado faz vítimas na cidade e na região

O advogado João Paulo alerta sobre os falsos advogados que fazem vítimas com golpe do PIX judicial
Operação Fake Lawyer prendeu dois suspeitos na capital paulista

Criminosos estão se passando por advogados e entrando em contato por telefone ou WhatsApp para informar falsamente que clientes têm valores a receber em processos judiciais. Na sequência, solicitam depósitos, transferências ou PIX sob a alegação de que o pagamento é necessário para a liberação do dinheiro.
O advogado João Paulo de Oliveira Nascimento, OAB/SP 280.788, falou à Gazeta de Vargem Grande sobre o aumento dos casos e fez um alerta à população. Segundo ele, alguns de seus clientes já foram vítimas do golpe, assim como clientes de outros profissionais da advocacia da cidade e da região.
O que torna a fraude ainda mais convincente é o fato dos criminosos utilizarem informações reais dos processos, incluindo números de ações judiciais, nomes de advogados, magistrados e promotores efetivamente vinculados aos casos.
Os golpistas também costumam encaminhar documentos falsos e convidar as vítimas para supostas audiências por videoconferência, alegando que a participação é necessária para a liberação dos valores. Em alguns casos, pedem que a vítima realize um PIX antes da audiência ou durante o procedimento.
A orientação do advogado é clara: ao receber qualquer pedido, não faça qualquer pagamento. Nenhum valor deve ser pago, transferido ou depositado para recebimento de créditos judiciais.
Outra dica é, antes de realizar qualquer transferência, confirme a informação diretamente com seu advogado pelos canais oficiais de atendimento. Desconfie de mensagens enviadas por números desconhecidos. Nunca forneça senhas, códigos de verificação ou dados bancários. Não acesse links de supostas audiências para liberação de valores sem antes verificar sua autenticidade com seu advogado.
Em caso de tentativa de golpe ou prejuízo financeiro, a recomendação é registrar boletim de ocorrência e comunicar imediatamente a instituição bancária. A principal orientação é desconfiar de qualquer pedido de pagamento relacionado à liberação de valores judiciais. Na dúvida, procure diretamente o advogado responsável pelo processo.

Casos anteriores
Em fevereiro deste ano, a Gazeta de Vargem Grande trouxe uma reportagem alertando sobre o golpe. Na época, o alerta partiu dos advogados Daniela de Barros Rabelo e Rodrigo Moreira Molina, que relataram aumento de casos na cidade e reforçam orientações para que clientes não caiam na fraude.
A Ordem dos Advogados do Brasil Seção São Paulo (OAB-SP) mantém uma força-tarefa específica para enfrentamento do golpe do falso advogado e orienta que casos sejam formalmente comunicados. O órgão, inclusive, preparou uma cartilha com orientações a respeito desses golpes. Entre outras ações, a OAB recomenda que as vítimas não efetuem nenhum depósito ou transferência antes de confirmar diretamente com o advogado e caso já tenham feito o pagamento, acionem imediatamente o banco para tentar bloquear a transação por meio do Mecanismo Especial de Devolução (MED), disponibilizado pelo Banco Central, além de registrar boletim de ocorrência.

Esta semana, operação prendeu suspeitos de aplicar golpe
A polícia civil de Mococa e Casa Branca realizou nesta semana uma operação para combater o chamado “golpe do falso advogado”, modalidade criminosa que também tem gerado preocupação em Vargem Grande do Sul e região. A ação resultou na prisão de dois homens, de 21 e 30 anos, suspeitos de integrar uma associação criminosa especializada nesse tipo de fraude.
As prisões ocorreram no bairro de Guaianases, na Zona Leste da capital paulista, durante a Operação Fake Lawyer. A investigação é conduzida pela Polícia Civil de Mococa, com apoio de equipes da Delegacia Seccional de Casa Branca e unidades especializadas do Departamento de Operações Policiais Estratégicas (DOPE).
Durante o cumprimento dos mandados de busca e apreensão, os policiais apreenderam diversos equipamentos e materiais que, segundo as investigações, eram utilizados na prática dos golpes.
De acordo com o delegado seccional de Casa Branca, Benedito Antônio Noronha Júnior, os criminosos se passavam por advogados para enganar pessoas que possuíam processos judiciais em andamento. “Eles levantavam informações sobre processos existentes e os telefones das vítimas. Depois faziam contato pedindo depósitos para a liberação de valores relacionados aos processos”, explicou o delegado em entrevista ao portal de notícias G1.
Segundo as investigações, os suspeitos utilizavam dados dos processos e informações pessoais das vítimas para dar credibilidade à fraude, solicitando pagamentos via depósito bancário ou PIX sob a justificativa de que seriam necessários para liberar valores supostamente vinculados às ações judiciais.
Após os procedimentos da Polícia Judiciária, os dois investigados foram encaminhados para a Cadeia Pública de Casa Branca, onde permanecem à disposição da Justiça.
O caso reforça o alerta para a população de Vargem Grande do Sul e região. A orientação das autoridades é para que qualquer contato envolvendo cobrança de valores relacionados a processos judiciais seja confirmado diretamente com o advogado responsável ou por meio dos canais oficiais do escritório, evitando assim cair em golpes.

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