Projeto da IG da Batata avança para reconhecimento da região

Grupo de trabalho se reuniu na segunda-feira, dia 8. Foto: Divulgação Sebrae

A região de Vargem Grande do Sul deu um passo estratégico rumo ao reconhecimento nacional e internacional de sua tradição agrícola. O Sebrae-SP iniciou oficialmente os trabalhos para a estruturação da Indicação Geográfica (IG) da Batata, uma iniciativa que busca valorizar a origem, a reputação e a identidade produtiva de um dos mais importantes polos bataticultores do País.
A primeira reunião de alinhamento do projeto foi realizada em 8 de junho e marcou o início de uma jornada que poderá resultar no reconhecimento formal da “Batata da Região de Vargem Grande do Sul” pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Inpi). Além de proteger juridicamente o nome da região, a certificação tem potencial para ampliar a competitividade do setor, agregar valor à produção e impulsionar novas oportunidades de desenvolvimento econômico.
Para conduzir o processo de estruturação da Indicação Geográfica, o Sebrae-SP contratou a Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (Fesp-SP), instituição responsável pela elaboração do projeto operacional. O trabalho contempla o levantamento de dados técnicos e históricos, a construção da documentação necessária, o desenvolvimento do signo distintivo da IG e a elaboração do Caderno de Especificações Técnicas, documento que definirá os critérios e características que diferenciam a produção regional.
A expectativa é que essa etapa seja concluída em aproximadamente 12 meses. Na sequência, o pedido de reconhecimento será protocolado junto ao Inpi para análise e eventual concessão da certificação.
Segundo Michelle Sabino, consultora e gestora do território do Sebrae-SP, a IG representa uma importante ferramenta de proteção jurídica e valorização territorial. “A Indicação Geográfica representará uma proteção jurídica do nome ‘Batata da Região de Vargem Grande do Sul’, garantindo um reconhecimento permanente para uma região que está entre as maiores produtoras do País. Isso significa valorizar a identidade local e proteger o nome gentílico que trouxe notoriedade e reconhecimento à região na produção de batata”, destacou.
Michelle também ressalta que a IG poderá impulsionar diversos setores econômicos da região. “A Indicação Geográfica pode representar um importante potencial de desenvolvimento econômico para segmentos como gastronomia, turismo, artesanato, economia criativa e outros setores ligados à identidade regional”, completou.
Além dos benefícios diretos para os produtores, a certificação poderá fortalecer a imagem da região, estimular novos investimentos e ampliar a visibilidade de atividades econômicas associadas à cultura local.
A iniciativa integra a estratégia do Sebrae-SP de valorização das vocações territoriais e de fortalecimento do desenvolvimento econômico sustentável, utilizando a Indicação Geográfica como instrumento para gerar competitividade, diferenciação de mercado e reconhecimento de produtos vinculados à sua origem. “A estruturação da IG da Batata da Região de Vargem Grande do Sul é um passo importante para reconhecer e valorizar uma atividade que faz parte da identidade econômica e produtiva do território. Além de proteger a origem e a reputação do produto, o processo pode gerar novas oportunidades de desenvolvimento, fortalecer os produtores e ampliar a visibilidade da região em âmbito nacional e internacional”, afirma Marcos Kremer, gerente regional do Sebrae-SP.
Participaram da reunião representantes do Sebrae-SP, das diretorias municipais de Desenvolvimento Econômico e do Trabalho e de Cultura, da Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (Cati), do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Inpi), da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (Fesp-SP) e da Associação dos Bataticultores de Vargem Grande do Sul (ABVGS).
A Associação será a entidade responsável por representar os produtores durante todas as etapas de estruturação da IG, garantindo a participação ativa do setor produtivo na construção do projeto. O envolvimento dos bataticultores será fundamental para assegurar que o processo reflita as características, tradições e particularidades que fizeram da região uma das maiores referências brasileiras na produção de batata.

Quase um ano
A busca pelo reconhecimento oficial da produção de batata de Vargem Grande do Sul tem uma trajetória que já dura quase um ano. Em setembro de 2025, uma reunião na sede da Associação dos Bataticultores de Vargem e Região (ABVGS) reuniu membros da entidade, da Cooperbatata e representantes do poder público municipal para discutir a viabilidade de pleitear uma Indicação Geográfica junto ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Inpi). O diretor de Desenvolvimento Econômico e do Trabalho, Juliano Scacabarozi, que participou do encontro, explicou que o objetivo era avaliar se a região reunia condições mínimas, por meio de registros históricos e de reconhecimento, para solicitar o selo, e que um trabalho desse porte demandaria entre um e um ano e meio para ser desenvolvido antes de ser protocolado. Na ocasião, o principal desafio identificado foi o financiamento do projeto, e a primeira estratégia foi buscar recursos junto ao governo federal por meio do MEC em parceria com o Instituto Federal de São João da Boa Vista.
Em abril de 2026, a Gazeta noticiou que os estudos seguiam em andamento sob a coordenação do Sebrae, com a formação de um Comitê integrado pela ABVGS, pela Cooperbatata e pelos departamentos municipais de Desenvolvimento e Cultura. Uma novidade relevante nessa fase foi a oferta de mentoria gratuita pelo próprio Inpi pelo prazo de seis meses, que passou a orientar a elaboração do projeto. O nome “Batata de Vargem Grande do Sul e Região” já se desenhava como o mais provável para a indicação, com a inclusão de municípios vizinhos reconhecida como estratégica para fortalecer o pedido. O presidente da Cooperbatata, Lucas Ranzani, destacou o papel histórico dos imigrantes italianos, espanhóis e portugueses no desenvolvimento da bataticultura local e ressaltou que a região já é referência nacional em inovação e comercialização do produto.

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