Câmara não aprova pedido de cassação do vereador
Com o auditório da Câmara Municipal tomado por professores municipais solidários à professora municipal Lucila Ruiz Garcia e vários simpatizantes do vereador Fernando Corretor (Republicanos), a sessão do Legislativo ocorrida nesta segunda-feira, dia15, foi palco de um embate entre os que queriam punir o vereador que na última sessão disse que ganhava cinco vezes mais que a professora e os que o defendiam.
O motivo foi a apresentação pela cidadã Lucila de uma denúncia por infração político administrativa contra o vereador Fernando Corretor, com pedido de instauração de processo de cassação do mandato por suposta quebra de decoro parlamentar, protocolado dia 12 de junho na Câmara Municipal. Foi então lido a denúncia para posterior colocação em plenário quanto ao recebimento ou não da mesma.
A representação da professora municipal contra Fernando por excesso verbal do vereador, foi acompanhada de um manifesto assinado por vários professores e sustentava que Fernando teria ofendido Lucila e a classe dos professores municipais ao proferir que ganhava cinco vezes mais que a professora, durante caloroso debate que aconteceu na última sessão de Câmara realizada dia 1º e junho. A fala do vereador repercutiu nas redes sociais e acabou tendo repercussão nacional.
Vários vereadores presentes na sessão se manifestaram a respeito do assunto. O vereador Ratinho defendeu Fernando alegando que o trecho de sua fala foi cortado e montado ao ser enviado às redes sociais, tornando-se uma fake news, o que no seu entender era crime e que teria prejudicado muito o vereador Fernando Corretor.
O vereador Gustavo ao fazer uso da palavra defendeu que a Câmara deveria aceitar a representação de Lucila, pois a fala de Fernando teve repercussão nacional e que a Câmara precisava dar uma resposta para o que aconteceu no Legislativo vargengrandense. Por várias vezes o presidente Maicon teve de pedir ao público presente que não se manifestasse e respeitasse a fala dos vereadores, caso contrário seria obrigado a suspender a sessão.
Também se manifestaram os vereadores Felipe Gadiani, que disse que o vereador Fernando errou, mas que no seu entendimento a representação de Lucila não deveria ser pautada naquela sessão, pois era antirregimental. O vereador Serginho disse que na sua fala o vereador Fernando tinha desprezado os professores, que no calor das discussões o vereador extrapola um pouco e que no mínimo ele deveria pedir desculpa para a classe dos professores.
O vereador Bilu argumentou que segurar o ímpeto ao ser provocado era muito difícil. Que no dia o vereador Fernando errou ao falar sobre a questão de ganhar mais que a professora, mas atenuou o erro por ele ter sido provocado. Que se houvesse reincidência do vereador seria o caso de abrir o processo de cassação, o que não era o caso.
Paulinho da Prefeitura também defendeu Fernando, que conhece há muito tempo e sabia o tanto que ele ajudava a população. Comentou que só em Vargem há o protocolo de pedidos e já vai para o plenário, que em outros legislativos o pedido passa por uma comissão de ética, de Justiça e Redação e só depois vai a plenário.
Para o vereador Rafael Coracini, Fernando foi muito infeliz na sua fala e conduta, afirmando que ser professor é uma das profissões mais nobres que existe e infelizmente é muito mal remunerada mesmo e que não era função do vereador resolver a questão pautada naquele momento.
Vereador Fernando se retrata
O vereador começou sua fala dizendo que a maior virtude de um homem é reconhecer o seu erro. Ato contínuo, pediu perdão e desculpa para todos os professores, tanto do município de Vargem Grande do Sul, como para todos os professores do Brasil e seus familiares. Também se dirigiu à professora Lucila e pediu perdão a ela.
Prosseguiu dizendo que todos deveriam ver os dois lados da moeda e solicitou ao presidente para colocar o vídeo para ver o que aconteceu na primeira sessão quando houve a discussão envolvendo a professora Lucila. Ela aparece dizendo que não justifica a falta de posicionamento do vereador, que que faz anos que está sentado naquela cadeira. “Vai estudar rapaz, você é simples, mas não é otário”, fala a professora no vídeo, afirmando que não ia aceitar pessoas fazendo insinuações que ela não era uma profissional competente.
Fernando continuou dizendo que foi infeliz na sua colocação, disse que se sentiu ofendido quando a professora se referiu a ele como otário, embora no que se pode apurar no vídeo, a professora diz que ele é simples, mas não é otário. Foi neste momento, que segundo o vereador, ele teria dito que ganhava cinco vezes mais que ela como professora.
O vereador comentou a respeito da professora Lucila, dizendo que ela não representava as professoras, que ela tinha um lado político, uma vez que já tinha saído três vezes candidata a vereadora. Novamente, voltou a pedir perdão e desculpa a todos os professores, para a população e os familiares que se sentiram ofendidos com sua fala, encerrando a sua participação no debate.
Após, foi colocado se o pedido de denúncia contra o vereador Fernando Corretor protocolado pela cidadã Lucila Ruiz Garcia em votação seria acatado pela Câmara Municipal. Se abstiveram de votar o presidente da Câmara, Maicon Canato e o vereador Fernando. A vereadora Giovana não compareceu à sessão. Votaram a favor do pedido de instauração da denúncia a vereadora Vanessa e Gustavo Bueno. Votaram contra o pedido os vereadores Ratinho, Felipe Gadiani, João da Força, Rafael Coracini, Paulinho da Prefeitura, Bilu e Parafuso e Serginho da Farmácia. O pedido foi rejeitado por oito votos a dois.












