Iniciadas obras para construção de memorial dos pais do Pe. Donizetti

O término da construção do memorial está previsto para os próximos meses; do outro lado será construída a capela do Santíssimo

Teve início no começo deste mês de junho ao lado da Igreja Nossa Senhora Aparecida, a construção do memorial que tem como finalidade acolher dignamente os restos mortais de Francisca Cândida Tavares de Lima e Tristão Tavares de Lima, pais do Beato Padre Donizetti Tavares de Lima.
O jornal apurou que estão trabalhando no local um servente e um pedreiro e esta primeira fase da obra com cerca de 70m2, deverá ficar pronta dentro de alguns meses. Atualmente, os corpos dos pais de pe. Donizetti após a exumação, estão sepultados na Capela do Sagrado Coração de Jesus e Maria, no Cemitério da Saudade.
A transladação dos restos mortais para o novo memorial estava prevista para ser celebrada com Missa Solene no dia 25 de abril de 2026, às 18h, na Matriz Nossa Senhora Aparecida, mas acabou não acontecendo, uma vez que a obra demorou para ser iniciada. Agora, aguarda-se a conclusão do memorial para que, passado mais de um século após a morte dos pais do pe. Donizetti, a obra possa de fato ser concluída, reforçando a importância histórica, espiritual e afetiva da Igreja Nossa Senhora Aparecida para Vargem Grande do Sul, consolidando o município como referência de fé, memória e devoção no cenário religioso nacional.
Conforme matéria publicada pela Gazeta de Vargem Grande no início de janeiro deste ano, o primeiro passo para a construção do memorial foi dado por ocasião da exumação dos restos mortais de Francisca Cândida e Tristão Tavares de Lima no final do ano passado, que estavam sepultados no Cemitério da Saudade em Vargem Grande do Sul.
Na ocasião, foi dito que o ato representava um dos acontecimentos religiosos e históricos mais significativos recentes de Vargem Grande do Sul. Realizado pela Diocese de São João da Boa Vista, a exumação ocorreu 104 anos após o falecimento do casal, que morreu em 1921.
Continua a matéria afirmando que a iniciativa foi marcada por profundo respeito, espiritualidade e valor simbólico, reforçando a ligação da família do Beato com o município. O objetivo principal era a transladação dos restos mortais para o memorial que seria construído junto à Igreja Nossa Senhora Aparecida, local de grande importância histórica e religiosa, por ter sido a única igreja construída pelo próprio Padre Donizetti, dedicada à Virgem Maria.
A condução do processo ficou sob a responsabilidade do bispo diocesano Dom Eugênio Barbosa Martins, com apoio da Prefeitura Municipal, que deu sequência aos trâmites legais, além da autorização formal de familiares ainda vivos, mais próximos do sacerdote, que inclusive participaram do ato. O trabalho contou também com a participação direta do pároco Padre Paulo Sérgio de Souza, do vigário Padre Agnaldo José dos Santos e do devoto José Luiz Morandin, um dos articuladores da iniciativa junto à Diocese.
Para o município de Vargem Grande do Sul, o espaço será mais um ponto de peregrinação, contribuindo para a preservação da memória da família que deu origem a um dos maiores nomes da fé católica brasileira, o Pe. Donizetti, permitindo que fiéis e devotos realizem visitas, orações e momentos de reflexão.
As celebrações em memória do hoje Beato Donizetti em Vargem Grande do Sul têm se intensificado. Neste ano, foi realizada em abril com grande sucesso e atraindo um grande público de Vargem e região, a 1ª Festa em Honra ao Padre Donizetti Tavares de Lima. Com a beatificação de pe. Donizetti, outras cidades também tem mostrado seu apreço ao padre. Foi o caso de Jaguariúna-SP, que no dia 16 de junho realizou a 1ª Festa em Honra ao Beato Donizetti. Ele foi o terceiro pároco da cidade no ano de 1909, pouco antes de vir para Vargem Grande do Sul.

Histórico
Beatificado em 23 de novembro de 2019, em Tambaú, cidade onde ele viveu a maior parte de seu ministério, pe. Donizetti veio para Vargem Grande do Sul em abril de 1909, permanecendo no município por 17 anos. A nomeação conta em mandato episcopal datado de 3 de abril de 1909. Padre Donizetti foi empossado no dia 18 de abril daquele ano, conforme o livro “Paróquia Sant’Ana – 120 anos de Amor e Fé”, de Denise Ap. Canal Merlin. Em 1926 ele é transferido para Tambaú e em seu lugar, assume Padre Manoel Antônio Pinto Villela.

Líder religioso preocupado com o social
Conforme matéria publicada pelo jornal Gazeta de Vargem Grande em abril de 2019, mais do que as construções e a expansão da paróquia, padre Donizetti foi um verdadeiro líder na comunidade vargengrandense. Incentivador da cultura e defensor da igualdade social, Padre Donizetti fazia de tudo para que a classe trabalhadora tivesse acesso a uma série de coisas que na época, eram consideradas exclusivas da elite. Foi assim com o futebol, o cinema, a música.
Havia uma equipe de futebol, onde jogavam apenas pessoas de alto poder aquisitivo na cidade. Padre Donizetti então montou um time, o São Luiz, para reunir os trabalhadores. Havia também uma banda onde tocava músicos de famílias abastadas. Ele criou então a Banda Sete de Setembro. Montou também um cinema destinado à população. Como os filmes eram mudos, a banda tocava ao lado de fora do cinema.
Há relatos que Padre Donizetti, quando havia circo na cidade, levava grupos de crianças para assistirem ao espetáculo e ainda organizava ele mesmo algumas exibições para o público.
Padre Donizetti também incentivava os trabalhadores a pleitearem melhores condições de trabalho, numa época em que a Crise do Café, que atingiu o país na década de 1920, se avizinhava. Esse posicionamento ia de frente contra os fazendeiros que dirigiam a cidade na época. Segundo relatos que até hoje perpetuam na memória dos vargengrandenses, a atuação de pe. Donizetti teria levado à sua transferência de Vargem para Tambaú.
Carismático, humilde e muito culto, padre Donizetti seguia atraindo cada vez mais fiéis na cidade, levando uma quantidade cada vez maior de devotos para suas celebrações e oferecendo à população o acesso à cultura, aos seus direitos e à dignidade humana. Ele era um verdadeiro fenômeno de popularidade, o que também pode ser visto em seu trabalho em Tambaú.

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