Se a Romaria dos Cavaleiros de Sant’Ana chegou ao seu cinquentenário como a maior manifestação religiosa e cultural de Vargem Grande do Sul, muito desse sucesso deve-se ao trabalho das comissões organizadoras que, ano após ano, assumiram a responsabilidade de preparar cada detalhe do evento.
Geralmente os nomes dos participantes das Comissões Organizadoras estavam relacionados com os prefeitos que comandavam o município por ocasião da realização da festa e intimamente ligado com o Departamento de Cultura do Município depois que ele foi constituído.
Para presidir a Comissão, por ser tratar de cargo de confiança, tinha de ter além dos requisitos necessários para comandar o evento, principalmente a afinidade com o trato com os animais, também uma boa coordenação com o administrador municipal, dado a envergadura e projeção cultural, social, religiosa e política da Romaria dos Cavaleiros de Sant’Ana.

Primeira Comissão
Foi assim em 1975, quando o então prefeito Huber Brás Cossi ao criar a Romaria dos Cavaleiros de Sant’Ana, nomeou a Primeira Comissão Organizadora do evento, que foi composta por Arthur Pereira Lopes, Benedito Ranzani, Olinto de Souza, Sebastião e Clóvis de Melo, José Roberto de Souza, Olímpio Cassiano, Rubens Claro Ribeiro, Antônio Pereira da Silva, João Maurício de Andrade, João Mesquita, José Domingos dos Santos Neto, João Matias, Gervásio Rota da Silva e Miguel Halla, conforme consta em documentário realizado pelo Departamento de Cultura. Não se sabe quem a presidiu.
Em entrevista ao jornal em 1994, Miguel Halla disse que a primeira Comissão Organizadora foi constituída somente em 1976 e não em 1975, citando como membros da mesma a maioria dos nomes que constam acima. Não existem documentos oficiais destas nomeações.
No documentário reunido pelo Departamento de Cultura, consta o ano de 1974, como sendo o ano em que aconteceu a 1ª Romaria dos Cavaleiros, sendo que não existe nenhum documento probatório de que a Romaria teria de fato iniciado neste ano em que se comemorou o Centenário de Vargem Grande do Sul.

Voluntariado
A responsabilidade da Comissão é muito grande, pois muito antes de os cavaleiros tomarem as ruas da cidade, meses de planejamento já mobilizam dezenas de voluntários. São pessoas que organizam o percurso, coordenam a segurança, cuidam da recepção das comitivas, buscam patrocinadores, promovem eventos para arrecadação de recursos, organizam o tradicional Baile da Rainha, acompanham a divulgação e trabalham para que a Romaria preserve, acima de tudo, seu caráter religioso.
Esse trabalho é realizado de forma voluntária e representa um verdadeiro ato de dedicação à comunidade. Integrantes das comissões dedicam parte de seu tempo livre para garantir que milhares de romeiros possam participar da homenagem à padroeira com organização, segurança e respeito às tradições que marcaram a história da Romaria desde sua criação, em 1975.

Oficialização
Só a partir da gestão do então prefeito Celso Ribeiro e tendo a diretora Márcia Iared na condução do Departamento de Cultura, começou-se a organizar melhor esta parte importante da documentação da festa. Mesmo assim, há uma grande falta de registro sobre as nomeações dos presidentes das Comissões e a presente matéria foi feita na sua maior parte, com depoimentos prestados à Gazeta de Vargem Grande nos últimos 40 anos.
Se no governo de Huber Brás Cossi (1973/1977) não foi encontrado quem presidiu a Comissão Organizadora, já na gestão do prefeito Homero Correa Leite (1977/1982), segundo relato de Clóvis de Melo, quem teria desempenhado este papel foi a professora de Educação Física, Nilza Toledo de Melo, que era esposa de Sebastião de Melo, que fez parte da Primeira Comissão Organizadora. Dona Nilza tinha um bom relacionamento com a professora dona Beatriz Defácio Correa Leite, esposa do prefeito Homero e que se preocupava muito com o aspecto cultural da Romaria, o que poderia ter contribuído para que ela exercesse o cargo. Não há comprovação documental.
Celso Ribeiro assume a Comissão

Em 1982 assumiu a prefeitura o prefeito Alfeu Rodrigues do Patrocínio e quem presidiu a Comissão Organizadora foi Celso Ribeiro, ficando no cargo de 1983 até 1989, primeiro ano da gestão de José Carlos Rossi.
Em entrevista ao jornal em 1994, Celso contou que com uma equipe atuante na época, perseguiu o objetivo de dar maior organização e profissionalismo à festa, inovando nos seus atrativos, passando a dar maior divulgação da Romaria através de cartazes e da TV, implantando a sonorização do evento, ampliando as categorias premiadas, contratando as companhias de touros com narração do rodeio, vinda de shows e artistas, dentre outras inovações.

Também nesta época houve a instituição do prêmio “Ordem dos Cavaleiros de Sant’Ana” homenageando as personalidades que contribuíram para a preservação e realização da Romaria. Citou que era preciso um local próprio para a realização da festa, uma vez que a área do bosque municipal era pequena, os clubes de futebol se sentiam prejudicados com o estrago que os cavaleiros e o rodeio faziam e foi então que se lutou para construir um Recinto de Exposições junto ao governo do Estado, culminando com a construção do Recinto de Exposição Christiano Dutra do Nascimento.

Criatividade e trabalho duro
Nesta semana, Celso falou à Gazeta sobre seus anos na condução da Romaria, lembrou que antigamente realizar o evento era mais difícil, especialmente sem as facilidades trazidas pela tecnologia. “Era preciso muita criatividade, esforço e disposição para realizar a Romaria, que exige muita infraestrutura para acolher os romeiros que vem de todo o país e toda a comunidade. Mas fazíamos tudo com muito carinho, esforço e com muita satisfação, pois a Romaria é evento que traz um grande impacto na tradição e Cultura de nossa cidade e tem alcance nacional trazendo para o município, romeiros de todo o país em homenagem à nossa Padroeira Sant’Ana”, afirmou.
Ao final, ele avaliou que o legado que buscou deixar na Comissão Organizadora foi o de “trabalho, dedicação e amor a nossa cidade e a nossa Romaria”, disse.












