Um acidente com um ônibus que transportava 45 trabalhadores rurais deixou duas mulheres mortas e ao menos 24 feridos na Rodovia Deputado Januário Mantelli Neto (SP-215), na descida da serra no distrito de São Roque da Fartura, na divisa entre Águas da Prata e Poços de Caldas, na terça-feira, 21 de julho. Os passageiros haviam embarcado nos municípios de Santa Cruz das Palmeiras, Itobi e Casa Branca e seguiam para uma lavoura de cebola em Poços de Caldas quando o veículo tombou.
Entre as vítimas fatais está Josefa Alexandre da Silva, de 59 anos, sepultada em Santa Cruz das Palmeiras, onde deixa dois filhos. A segunda vítima é Maria Eduarda Corrêa Ferreira, de 19 anos, moradora de Itobi. Ela foi sepultada na quarta, dia 22.
O socorro mobilizou equipes de resgate de três cidades. A maioria dos feridos foi encaminhada à Santa Casa de Poços de Caldas, que recebeu 13 pacientes, dois deles internados na Unidade de Terapia Intensiva. Os demais foram atendidos nos prontos-socorros de Águas da Prata e São João da Boa Vista e receberam alta médica.
De acordo com o portal G1, em depoimento à Polícia Civil, o motorista Valdecir Lourenço de Souza declarou que o ônibus havia passado por revisão mecânica recentemente, mas perdeu os freios durante a descida da serra. Para evitar que o veículo caísse em uma ribanceira, ele optou por jogá-lo contra a defensa metálica da pista, manobra que acabou provocando o tombamento. Após a colisão, o condutor permaneceu no local para prestar socorro e colaborar com as autoridades, submetendo-se ao teste do bafômetro, que deu resultado negativo. O caso foi registrado como homicídio culposo e lesão corporal culposa na direção de veículo automotor.
Irregularidades
Segundo o G1, o Departamento de Estradas de Rodagem (DER) constatou que o ônibus operava em situação irregular, uma vez que embora a documentação estivesse em dia, faltava a Autorização para Transporte Rural, obrigatória para essa modalidade de serviço. A Agência Nacional de Transportes Terrestres verificou ainda que o veículo não possuía habilitação para transporte interestadual de passageiros e que não há rota autorizada entre Itobi e Poços de Caldas. Caso a prestação clandestina de serviço remunerado seja confirmada, os responsáveis estarão sujeitos à retenção do veículo e a multa de R$ 7.500,00. O ônibus, com placas de Itobi e fabricado em 2001, acumulava 25 anos de uso, em desacordo com portaria vigente desde 2017 que estabelece limites de idade para a frota de transporte rural.
O Ministério do Trabalho e Emprego também vai investigar o caso. O superintendente regional Carlos Alberto Calazans visitou os feridos internados na Santa Casa de Poços de Caldas e relatou que os trabalhadores não sabiam sequer o destino exato nem a propriedade onde trabalhariam. Segundo ele, os trabalhadores estavam a serviço de um condomínio de São José do Rio Pardo, que recebeu uma demanda de um turmeiro, cujo nome os próprios trabalhadores desconhecem. Entre os feridos há pessoas originárias do Ceará, que residiam em São Paulo e seriam levados a trabalhar em Minas Gerais.
A Polícia Civil de Águas da Prata aguarda o laudo da perícia técnica, que deve apontar as causas da falha mecânica em até dez dias. O Ministério do Trabalho pretende abrir inquérito próprio para apurar as condições de trabalho, as relações trabalhistas, a contratação do ônibus e a identificação da fazenda de destino. A estimativa é que a investigação ministerial seja concluída em 30 dias.














