Editorial: Uniformes e o que ainda falta na educação

A entrega de uniformes escolares aos cerca de 3 mil alunos da rede municipal de ensino, mesmo com o atraso enfrentado neste ano por problemas na licitação, é uma medida que merece ser celebrada. Para muitas famílias vargengrandenses, o kit completo com duas camisetas, bermuda, calça e casaco de frio representa uma economia direta no orçamento doméstico, como relataram mães ouvidas pela reportagem da Gazeta. Mas o valor desse benefício vai muito além do bolso. Uniforme, material didático de qualidade e merenda escolar saudável são pilares que, juntos, sustentam as condições mínimas para que uma criança aprenda bem.
Não é por acaso que esses três elementos aparecem lado a lado quando se fala em educação pública de qualidade. Uma criança que vai à escola vestida, alimentada e com o material necessário em mãos tem menos obstáculos entre si e o aprendizado. É dignidade, é igualdade entre os colegas de sala e é também tempo e dinheiro que a família não precisa gastar todos os dias com essas necessidades básicas. Vargem Grande do Sul oferece hoje, na rede municipal, os três, o que não é regra em todos os municípios da região.
Os números do Ideb 2025 confirmam que esse investimento tem se traduzido em resultado. Segundo dados divulgados pela reportagem da Gazeta, a rede municipal de Vargem Grande do Sul obteve nota 7,3 nos anos iniciais do ensino fundamental, à frente de cidades vizinhas como São João da Boa Vista (6,8), São Sebastião da Grama e Divinolândia (6,7 cada), Casa Branca (6,1) e São José do Rio Pardo (6,3 na rede municipal).
Ainda assim, seria ingenuidade tratar o Ideb como um atestado de aprovação irrestrita. Os próprios dados mostram oscilações nos anos finais do ensino fundamental, com nota 5,2 em 2025 depois de recuos e avanços ao longo da década, e um ensino médio que, apesar de não fazer parte da rede municipal e ter melhorado recentemente para 4,5, ainda está distante do patamar considerado ideal pelo próprio Ideb.
Parte dessa sustentação passa, inevitavelmente, por uma discussão que Vargem não pode adiar, que é a valorização de quem está na sala de aula. Uniforme, material e merenda de qualidade fazem diferença, mas não substituem professores bem remunerados e motivados. O pagamento integral do piso salarial da categoria, garantido por lei federal e prometido pelo Executivo para este ano, é um debate que precisa avançar em Vargem Grande do Sul com a mesma prioridade dada às demais políticas educacionais.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor insira seu comentário
Por favor insira seu nome aqui