A Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo elaborou um plano de ações de prevenção e resposta às arboviroses, que podem ser resultado dos efeitos do Super El Niño – episódio excepcionalmente intenso do fenômeno de aquecimento das águas do Oceano Pacífico, que deve ocorrer nesta temporada. Arboviroses são as doenças causadas por vírus transmitidos por animais como mosquitos e carrapatos, como por exemplo dengue, zika e chikungunya.
Dos 17 Departamentos Regionais de Saúde (DRS) de São Paulo, 11 foram classificados como prioritários para ações de prevenção e resposta às arboviroses diante dos possíveis impactos do El Niño. Entre essas regiões prioritárias está a de São João da Boa Vista, da qual Vargem faz parte.
El Niño e dengue
Nessas áreas elencadas há uma previsão de mais chuvas e calor para esta temporada. Assim, avaliação considera a possibilidade de aumento da transmissão de dengue, chikungunya e zika, e consequentemente, a maior procura pelos serviços de saúde e crescimento das internações.
“A alternância entre períodos de calor e chuva pode favorecer a proliferação do Aedes aegypti e a transmissão das arboviroses. O estado está se antecipando a esse cenário, com o reforço da vigilância e a preparação dos serviços de saúde, mas a participação da população também é decisiva. Fazer uma vistoria semanal e eliminar recipientes com água parada são medidas simples e eficazes”, afirma Regiane de Paula, coordenadora em Saúde da Coordenadoria de Controle de Doenças da SES-SP.
Meses de chuva
O cenário meteorológico reforça a necessidade de preparação. Segundo o boletim mais recente de monitoramento do El Niño, divulgado pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) em parceria com outros órgãos, há mais de 90% de probabilidade de o fenômeno atingir intensidade muito forte entre setembro e novembro. Para o período, são previstas temperaturas acima da média em praticamente todo o país e chuvas acima da média em parte do estado de São Paulo.
Em Vargem grande
Apesar do alerta para os próximos meses, o cenário epidemiológico atual no estado de São Paulo apresenta melhora expressiva. Até a 35ª semana epidemiológica de 2026, última semana de agosto, São Paulo registrou 58.271 casos de dengue, contra 855.132 no mesmo período de 2025.
Em Vargem, até o final de agosto, foram notificados 286 casos de dengue, mas felizmente foram registrados apenas 14 casos positivos, com 272 negativos. Em 2025 as notificações de dengue chegaram a 1.849 casos, dos quais 491 foram positivos e 1.358 negativos. Em 2024 foram mais de 3 mil pessoas que pegaram a doença transmitida pelo Aedes aegypt.
Município se prepara para temporada
Alessandro Souza, do setor de vigilância e Mário Módolo, diretor de Saúde da prefeitura, falaram à Gazeta sobre como o município tem se preparado para a intensificação de casos de arboviroses que podem acontecer com o Super El Niño.
Eles explicaram que a dengue é uma enfermidade que é combatida diariamente pelos agentes comunitários e os de endemias. “Todo dia há uma ação de trabalho, seja em ponto estratégico, imóveis especiais, e nas residências e comércio em geral. Nessa época do ano o trabalho segue para eliminarmos, além de notificar, registrar e acompanhar possíveis criadouros”, afirmaram.
“Realizamos no mês de julho um ADL para a verificação dos índices de concentração de mosquitos, larvas e criadouros e o resultado está dentro do satisfatório e aceitável para a época. Dependendo da quantidade e intensidade das chuvas nos próximos meses, pretendemos adiantar e realizar um mutirão com mobilização social”, informaram.
Planejamento
Sobre o El Niño, os profissionais disseram que participaram de um seminário online sobre o tema com especialistas da Coordenadoria de Controle de Doenças (CDD) e da Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo, onde foram discutidas estratégias de ações para o enfrentamento de uma demanda maior de casos e internações por conta das arboviroses. “Sabemos que alterações climáticas com alta concentração de chuvas, calor e umidade favorecem o mosquito da dengue, temos previsões de intensificar as ações de combate e controle da dengue nos meses mais chuvosos”, afirmaram
Ainda sobre o trabalho já feito, em julho o Departamento de Saúde realizou ações de recadastramento de quarteirões, imóveis e terrenos para solidificar a base de dados municipais para, no menor prazo de tempo possível, tomar as decisões e planejar ações. “Seguimos um plano municipal de combate e controle da dengue revisado todo ano, com protocolos pré estabelecidos e metas a seguir norteando as medidas e ações”, explicaram.
“Neste mês de setembro, estamos realizando uma ação chamada ovitrampa, que consiste em armadilhas montadas para monitorar a ação do mosquito, detectando sua presença e a quantidade de ovos depositadas nelas, com isto detectamos as áreas mais vulneráveis e com maior atividade do mosquito”, disseram. “Ainda neste mês realizaremos reuniões estratégicas com vários setores da prefeitura para nortearmos as ações competentes a cada um dentro do combate às arboviroses”, finalizaram.












