Danutta alega que tentam silenciá-la na Câmara

Uma situação um tanto quanto preocupante foi exposta na última sessão ordinária da Câmara Municipal, que aconteceu na terça-feira, dia 16. Na ocasião, a presidente Danutta de Figueiredo Falcão Rosseto (Republicanos) afirmou que sofre tentativa de silenciamento na Casa de Leis por parte de seus companheiros, principalmente nos bastidores políticos.
O caso veio à tona quando o vereador Celso Itaroti Cancelieri Cerva (PSD) ocupou a tribuna livre e pontuou que, na reunião junto à diretoria do Hospital e médicos, que aconteceu no dia 10 de abril, os edis não puderam tirar dúvidas sobre demais temas. Relatou que foi à reunião questionar o porquê que o Hospital não aceita a decisão do médico do PPA de transferir os pacientes para lá e foi impedido de elencar suas dúvidas.
Estavam presentes na reunião além da presidente Danutta e o vereador Itaroti, os vereadores Fernando Donizete Ribeiro, o Fernando Corretor (Republicanos), Carlos Eduardo Scacabarozi, o Canarinho (Cidadania), Paulo César da Costa, o Paulinho da Prefeitura (Podemos), Gláucio Santa Maria Gusman (Podemos), Hélio Magalhães Pereira (PL) e Célio Santa Maria, Gordo Massagista (PSD). Por parte do Hospital participaram o interventor José Geraldo Ramazotti e o administrador Francisco de Assis Mazuco Manoel e representando o corpo clínico, os médicos Fernando Felipe e Fábio Visconde. Também estiveram presentes o assessor jurídico da presidente, advogado Alex Mineli e a procuradora jurídica da Câmara Carolina Salvi.
Itaroti disse que Danutta deixou claro que a reunião seria somente para tirar dúvidas sobre a falta de diretor clínico e diretor técnico, não podendo abrir para demais assuntos, o que era uma vontade dos vereadores, a fim de aproveitar a presença dos membros do Hospital.
O vereador Fernando comentou que os vereadores foram à reunião fazer perguntas aos médicos, mas que entende também a preocupação da presidente de que os vereadores pudessem se exceder e alterar a voz ao fazer as perguntas aos médicos e membros do Hospital. Relatou que era uma oportunidade única, pois nunca foram à Casa de Leis quando convocados, e que quem perderá com isso é a população.
Itaroti disse à Danutta que, quando houver essas reuniões, que especifique o assunto no convite, pois o convite dizia que era para tirar dúvidas com relação à saúde e os edis foram questionar, o que não aconteceu. “Quando houver reunião, especificar que será para um determinado assunto e aqueles que tiverem interesse, vem, e os que não tiverem, não participam. Porque eu vim para tirar dúvidas que a população nos cobra. Com relação aos diretores, eu já havia feito requerimento”, disse.
Pediu que a presidente convidasse novamente os membros do Hospital em uma situação em que os vereadores possam fazer questionamentos sobre as dúvidas da população, principalmente sobre a história de poder ou não internar os pacientes do PPA.
Danutta inicialmente agradeceu ao interventor e ao administrador do Hospital, bem como aos médicos, pelo comparecimento na Casa de Leis, uma vez que eles não teriam obrigação de aceitar o convite feito por ela. ‘Achei importante convidá-los para que os vereadores tomassem esclarecimento para entendermos os fatos. Então essa reunião partiu de mim porque eu queria entender essa questão da falta do diretor clínico e diretor técnico para ver o que conseguiríamos articular. Foi uma reunião muito proveitosa”, disse.
Disse que acredita que como o Hospital recebe verba pública, deveriam espontaneamente prestar contas ao Legislativo. Sobre a situação dos médicos não conseguirem encaminhar os pacientes do PPA ao Hospital para internação, falou que é necessário sim ter uma explicação, o que até hoje não aconteceu. “Dizem que não há objeção nenhuma, mas na prática não é bem assim. Mas acredito que se a reunião conduzisse para isso, também não chegaríamos em lugar nenhum”, disse.
“Todos os vereadores têm dúvidas com relação ao Hospital, são procurados, então entendo esse pontuamento de vocês com relação à reunião. A minha preocupação era com relação a respeito. Foi uma reunião fechada, que eu quis ter e abri para os vereadores, mas quis manter o nível e o respeito para não perder a conduta da reunião”, completou.
Para ela, não há dúvidas de que, se houver mais um convite para pautar os questionamentos, o Hospital compareceria e atenderia ao convite. Em seguida, Danutta pontuou que é muito difícil ser a primeira mulher presidente da Câmara Municipal e chamou atenção para um silenciamento velado que, segundo contou, tem sofrido nos bastidores. “Eu não ia entrar neste assunto, mas como ficou tão claro essa questão de querer até me ensinar como eu devo fazer o convite para as reuniões, acho que isso soa um pouco até desrespeitoso com relação a mim, porque é como se eu não soubesse fazer. E aí entra a doutrina que rejeita a igualdade de direitos”, afirmou.
“Estou com minha consciência tranquila e acho que conduzi a reunião muito bem, não desrespeitei ninguém e não impedi nenhum vereador de falar, quem sou eu para calar alguém? Aqui é mais fácil tentarem me calar, isso já ficou claro e evidente principalmente nos bastidores onde tenho que ouvir coisas como ‘lá vem a coach de vereadores porque quer ensinar’ ou ‘nunca mais voto em mulher porque olha só o que dá’ e outras coisas que tenho de ouvir e escutei durante todos esses anos”, completou.
A presidente apontou que convidou os vereadores e, a partir deste momento, participa quem quer. “E desculpe meu ponto de vista, mas acho que independente do assunto a ser abordado na reunião, se o vereador não tem nenhum outro compromisso, por que não participar? Se aquele assunto não me interessa ou não é favorável à minha política, eu não vou participar? Então, desculpe, mas neste ponto acho que está errado. Eu não tenho que ficar detalhando para ver se vocês querem participar ou não”, falou.
Danutta disse que sofre muitas repressões na Casa de Leis, inclusive na convocação de sessões extraordinárias. “Acho que se as pessoas observarem de forma melhor, vai ver tudo que tem sido feito com a presidente. E tudo bem. Eu sou a primeira mulher a estar aqui, claro que vou tomar uma surra e está tudo bem, porque com certeza é para que as próximas que virão, se Deus quiser, não tenham que passar pelo o que eu passo”, disse.
Neste momento, com a transmissão focada na presidente e longe dos microfones, alguns vereadores começaram a conversar e fazer pontuações. Danutta comentou que não está desmerecendo e nem desvalorizando ninguém. Novamente, a presidente foi interrompida por vereadores que falavam longe do microfone, atrapalhando a sua fala.
A imagem foi enquadrada para pegar todos os edis e o vereador Carlos Eduardo Scacabarozi, o Canarinho (PSDB), pediu um aparte à presidente. “O jeito que a senhora colocou, sobre os ânimos, parece que as reuniões que convidamos as entidades saímos no soco e pontapé. Nunca ninguém faltou com respeito a ninguém aqui dentro, muito menos com a senhora”, disse.
O vereador Hélio Magalhães Pereira (PL) fez alguns comentários, também longe do microfone. Em seguida, o vereador Celso Itaroti Cancelieri Cerva (PSD) disse que acha que todos sempre respeitaram Danutta como vereadora, independente do sexo, e solicitou que o secretário, Canarinho, lesse o convite enviado aos vereadores, caso a presidente autorizasse.
Novamente, o vereador Magalhães fez alguns comentários longe do microfone. Danutta esperou que os vereadores ficassem em silêncio para retomar a palavra. Disse que ficou quieta, mas que todos os vereadores devem saber que o presidente, independentemente de ser mulher ou homem, não pode ser aparteado e interrompido.
Com relação à leitura do convite no plenário, conforme solicitado por Itaroti, a presidente não autorizou, dizendo que os vereadores poderiam ficar à vontade para divulgá-lo nas redes sociais, inclusive. “Não é que eu não queira permitir ler o convite, poderia ler, podem colocar em rede social, podem mandar fazer matérias e tudo mais. Existe uma questão de interpretação e vocês são maioria, não vou discutir, não é esse o objetivo, não é me promover, está tudo bem”, comentou.
Danutta sinalizou que pretende conversar com os vereadores e que a sala da presidência e a assessoria da presidência estão à disposição e, caso os vereadores tenham dúvidas e queiram fazer mais indagações, ela pode convidar o Hospital novamente.
Comentando sobre o que disse o vereador Canarinho, afirmou: “Desculpa vereador Canarinho, a sua fala foi bem desrespeitosa e forte quando fala que ‘dá impressão que as reuniões que fazemos com as entidades…’, eu não tive nenhuma outra reunião com entidade, então não entendi isso que o senhor mencionou”.
Interrompida pelo vereador Canarinho, que falou longe do microfone, se mostrou frustrada com a intervenção. “Gente, desculpa, não é o momento de discussão, agora era para ser a hora da presidente ou, vou até mudar o termo, do presidente falar, mas não sei porque isso acontece. Acho que se fosse uma outra pessoa aqui, tenho certeza que isso não teria acontecido”, finalizou.
A presidente seguiu com o expediente da sessão ordinária e nem um outro comentário sobre a situação foi feito.

Matéria
Quando a presidente Danutta na sua fala disse “podem mandar fazer matéria”, respondendo à questão da leitura do convite pleiteada pelo vereador Itaroti, certamente estava se referindo à matéria que foi publicada nas redes sociais na terça-feira, dia 16, por volta das 17h, por um portal de notícias local.
Publicada duas horas antes da sessão da Câmara acontecer, relatando a reunião que aconteceu no dia 10, entre os vereadores e o Hospital, a matéria trazia um rosto com uma fita tapando a boca e um título bem sensacionalista, onde afirmava que a Saúde de Vargem está na UTI e que a presidente Danutta convocou reunião com membros da Saúde, mas não permitiu questionamentos dos vereadores.
Disse sobre a convocação da reunião com os vereadores e membros do Hospital e que, na ocasião, só foi permitido perguntas sobre a falta do diretor clínico e técnico. Escreveu que o assunto já havia sido questionado pelo vereador Itaroti em um requerimento em outra sessão.
Informou que a presidente não permitiu nenhum outro questionamento dos vereadores aos membros da saúde, dizendo que os mesmos não eram obrigados a responder. Apontou que a reunião não foi transmitida pelo YouTube da Câmara.
“Porém, não sendo transparente para a população acompanhar. Uma falta de respeito por parte da vereadora Danutta perante seus demais colegas vereadores e com a população de Vargem Grande do Sul. Por isso que a saúde do município nunca melhora, ainda temos quem não tem vontade de resolver. É lamentável”, escreveu o autor da matéria no seu portal de notícias.
Embora não citada nominalmente pela presidente do Poder Legislativo de Vargem Grande do Sul, a matéria publicada pouco antes da sessão, certamente serviu para instigar ataques à presidente Danutta, num momento político em que se aproximam as eleições municipais e a “harmonia” que antes existia entre os nobres edis, começa a ser abalada pelo posicionamento dos vereadores frente à política municipal e seus possíveis candidatos a prefeito nas eleições de outubro.

Foto: Reprodução YouTube/TV Câmara

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