Casos de covid-19 aumentam na Inglaterra e vargengrandense relata como Reino Unido tem combatido a doença

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Aline mora há 4 anos em Londres. Foto: Arquivo Pessoal

A pandemia de covid-19, doença causada pelo novo coronavírus, tem feito milhares de vítimas em todo mundo. A Gazeta de Vargem Grande vem publicando há algumas semanas o relato de vargengrandenses que moram fora do país para contar como cada governo tem lidado com o avanço da doença.
No Reino Unido, até a quarta-feira, dia 8, 61.455 pessoas contraíram a covid-19, que já matou 7.097 pessoas por lá. O primeiro ministro britânico, Boris Johnson, é uma das vítimas da doença e até a quarta-feira estava hospitalizado em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI).
A vargengrandense Aline Dian mora em Londres há 4 anos, onde trabalha como gerente de marketing. Procurada pela reportagem da Gazeta de Vargem Grande, ela contou como foi a chegada dos primeiros casos na Inglaterra. “Na verdade eu estava de ferias eu fiquei bem perdida, pois foi tudo muito rápido. Obviamente, já sabia da pandemia e dos casos aqui no Reino Unido, mas quando voltei ao país depois de apenas sete dias fora, tudo tinha mudado. Já não pude mais voltar o escritório pára trabalhar e tenho estado em casa desde então”, comentou ressaltando que isso já faz 5 semanas.
Aline falou que sentiu a seriedade da situação quando recebeu um comunicado da empresa. “Foi quando recebi, ainda de férias, uma mensagem de emergência da empresa pedindo que todos os funcionários começassem a trabalhar de casa imediatamente. No mesmo dia, o primeiro ministro começou a fazer a anúncios diários na TV e a cada anúncio as medidas restritivas aumentavam. Mas o maior choque mesmo foi a primeira ida ao mercado: seguranças na porta controlando entrada e saída, marcações de 2 metros no chão para que pessoas não se aproximassem e absolutamente nada nas prateleiras”, disse.
“Eu trabalho em uma ONG pra pessoas com doenças terminais e tenho estado envolvida no planejamento dos novos hospitais temporários (construídos em estádios de futebol e centros de evento). O Nighthingale Hospital, em Londres, espera receber milhares de pessoas em estado crítico (por volta de 16mil pacientes) e preveem que 50% desses pacientes morrerão nas primeiras 24h depois da admissão”, lamentou.
Ela contou que já não existem equipamentos de segurança pessoal, como máscara. “E muitas pessoas debilitadas por doenças pré-existentes nao podem mais receber cuidados de enfermeiras e médicos em casa e por isso estão morrendo ou sofrendo sem medicamento e tratamentos adequados” contou.

Quarentena
Aline comentou que as empresas que podiam se adaptar ao estilo home office começaram logo na segunda semana de março a mandar os funcionários trabalharem de casa. “Ainda haviam muitas dúvidas sobre a gravidade e se seria ou não necessárias medidas mais drásticas. Então bares e restaurantes so fecharam no final do mês. Na semana passada, tambem fecharam todas as lojas não essenciais como de roupas, perfumaria, etc. Absolutamente tudo fechou, menos mercados e farmácias”, disse.
Desde então, a gerente de marketing contou que as medidas ficam mais restritivas a cada dia, com muitos policiais nas ruas multando pessoas que desobedecem as diretrizes de segurança, estações de metrô fechadas e as poucas que estão abertas os policias questionam cada passageiro se o motivo da viagem é realmente essencial. “Só Podemos sair de casa uma vez ao dia pra se exercitar. Porém é provável que a partir dessa semana isso também seja proibido”, ponderou.

 

Rotina

 

“Por trabalhar no setor de saúde, tenho trabalhado muito. O volume de trabalho aumenta a cada dia e tenho passado entre 10h e 12h no computador, então não vejo o tempo passar. Eu realmente sinto mais as consequências aos finais de semana”, falou Aline, que contou que sente da rotina e dos amigos. “Sinto falta até mesmo de ir até o escritório todos os dias, ver pessoas e, claro, do pub com os amigos no final do dia”, disse.
Aline contou ainda como faz para se distrair nesse período de quarentena. “Trabalho muito e aos finais de semana passo bastante tempo no jardim tomando sol, lendo ou apenas falando com os amigos”, disse.

Em Vargem

Por morar longe, Aline contou que a relação com a família e a maneira de se comunicar com os parentes não mudou. “Continua sendo por aplicativos de vídeo-chamada e whataspp”, afirmou.
No entanto, ela se preocupa com os pais e a família, que estão em Vargem. “Sei que em Vargem a situação ainda esta controlada, de maneira geral. Mas sabemos que o governo tem falhado muito em tomar medidas pra proteger a população e controlar danos no sistema de saúde e economia”, avaliou.

 

Economia

A Gazeta também questionou Aline sobre como está na Inglaterra o temor de uma crise econômica depois da crise de saúde pública. “Acho que ainda estamos no olho do furacão e ninguém ainda tem muito tempo e cabeça para pensar a longo prazo. Obviamente, esperamos que haverá sim um impacto imenso na economia, principalmente setores de hotelaria e turismo. Por outro lado, o governo foi ágil ao anunciar medidas econômicas para minimizar alguns impactos logo no início do problema, como, por exemplo, pagar 80% dos salários dos funcionários de empresas e lojas que tiveram que fechar temporariamente e assim não teriam que mandar ninguém embora”, afirmou.

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