Psicóloga Daiane Passoni fala sobre maternidade na atualidade virtual

Psicóloga e analista de comportamento Daiane Passoni

Daiane Passoni, psicóloga e analista de comportamento

A maternidade hoje em dia vem se configurando ao mesmo tempo que a mulher alcança mais espaço em outras funções. Através das mídias sociais, as mulheres estão se reinventando a partir de suas próprias inseguranças, pois, a era digital trouxe uma espécie de laço que faz com que pessoas se sintam presentes umas nas vidas das outras compartilhando experiências e vivências. Através disso, inclusive, podemos notar como vem crescendo movimentos de apoio à mulher, como se elas pudessem estar juntas mesmo que longe.


Mas além de tudo isso, não dá para negar o outro lado da moeda da era digital materna. Apesar de existir uma espécie de acessibilidade fácil para encontrar e até se debruçar em redes de apoio virtual, seja um story ou uma página específica, existe o fato de que ainda assim não enxergamos as 24h do outro lado da tela. Ao mesmo tempo que cria-se a expectativa de rede de apoio vendo outros experiências, o que é palpável para um não é para outro, é isso nem sempre a Internet explica. A dimensão do abalo emocional materno não pode ser mensurada pela tela do celular. O maternar é singular e único, mesmo que possamos visualizar outras vivências.


Não podemos negar que vivemos na era da dependência digital. Assim como muito sabe-se do exagero do recurso digital para crianças, isso também acaba acontecendo com o papel materno. É claro que não podemos deixar de mencionar as variáveis sociais em torno da mulher que já mudaram na sociedade. Hoje, a grande maioria trabalha fora e ser mãe deixou de ser o papel principal. E é neste ponto que o celular e outros meios digitais entram como ferramenta maternal. Mas o verdadeiro ponto é que não existe algo que seja apenas bom e algo que seja apenas ruim.


O fato é o que fazemos com a ferramenta que temos. E hoje a Internet, as telas e recursos virtuais tornaram-se indispensáveis, não porque de fato são, mas sim porque quebram um caminho pela metade. Então o celular e a Internet não são ruins, mas se tornam prejudiciais a partir do momento que são atribuídos a eles funções que são do ser humano.
Como profissional que atua na área infantil, a maior problemática que encontro na maioria dos casos é como o uso excessivo das telas e redes sociais estão tomando conta da relação pais/filhos. E novamente repito, não porque é um meio ruim, mas porque colocamos uma função sobre esse recurso que não deveríamos.


Mas voltando e frisando o maternar e a mídia social, é uma via de mão dupla! Possibilita encontrar inovação e acolhimento diante a visualização de outras vivências, mas também pode aumentar níveis de estresse, depressão e ansiedade por se deparar com realidades que talvez nunca serão iguais. E são esses dois pontos que precisam ser equilibrados. A Internet é ótima, mas ainda assim não estamos conectados 24h e sentindo os mesmos sentimentos da mesma forma!

 

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