Descendentes dos doadores do patrimônio à Igreja

José Luís Alves, descendente de Maria Antônia Eufrazina (ou Flauzina) Alves da Cunha, uma das fundadoras

Para entendermos um pouco de como foi criada a cidade de Vargem Grande do Sul, devemos nos reportar ao longínquo ano de 1873, quando se inicia a segunda e última divisão da Fazenda Várzea Grande, pertencente aos sesmeiros Garcia Leal, mais precisamente ao que tudo indica, às terras pertencentes ao alferes Salvador Garcia Leal.
O coronel Francisco Mariano Parreira, que era funcionário público de São João da Boa Vista, deixa a cidade vizinha, certamente passa pelo povoado de Vargem e vai ao Fórum de Casa Branca tratar das doações de terrenos destinados à fundação do que viria a ser a nova cidade.
Lembramos que desde 25 de outubro de 1814, ficou Vargem Grande pertencendo à Freguezia de Casa Branca, até que em 1859 (24 de março), São João da Boa Vista foi elevada à categoria de Vila e a região onde localizavam-se as terras de Vargem, então chamado Bairro da Porteira, passam a pertencer a São João da Boa Vista, sendo subordinada à administração sanjoanense.
Em carta aos seus filhos, datada de 9 de junho de 1930, conforme consta no livro “História da Câmara Municipal de Vargem Grande do Sul”, o coronel Mariano Parreira conta como procedeu: “Reuni todos os títulos de doações de terrenos à Sant’Ana, entreguei-os aos louvados Lourenço Ferreira Costa e Luís Alvarenga, com uma petição na qual requeri o pagamento à Sant’Ana para o patrimônio onde foi dado e existe”.
Entre as 65 propriedades que resultaram da divisão da Fazenda Várzea Grande, três herdeiros doaram terrenos para a formação do povoado, sendo eles: Antônio Rodrigues do Prado, José Moreira e dona Maria Antônia Eufrazina (ou Flauzina) Alves da Cunha, que são considerados também fundadores de Vargem Grande do Sul, juntamente com os sesmeiros sargento-mor José Garcia Leal e seu irmão alferes Salvador Garcia Leal e o coronel Francisco Mariano Parreira.

Como se formavam as vilas no Brasil
Um trabalho das pesquisadoras Ivone Pereira e Renata Baesso, publicado na Internet, traz preciosas informações sobre a “formação de núcleos urbanos no Brasil Colônia: procedimentos para elevar freguesias a vilas na Capitania de São Paulo na segunda metade do século XVIII”.
De acordo com o escrito, “no Brasil colônia, uma das formas recorrentes de formação de povoados era a partir da doação de terras por um morador, ou conjunto de moradores, ao patrimônio de um santo de devoção da Igreja Católica. Estas terras cedidas passavam a constituir um bem sagrado e sobre elas poderia ser erguida uma capela, proporcionando a formação e expansão de um povoado, e determinando, sobretudo, legitimidade à terra, conforme as ordenações eclesiásticas. À medida que o povoado se desenvolvesse este poderia adquirir o estatuto de freguesia. Quando a freguesia era elevada ao estatuto de vila, a delimitação do rossio e do termo eram fundamentais na ocupação do território e na definição do espaço urbano, distinto do rural”.

A descoberta de ser descendente de dona Maria Antônia
Poucos registros existem sobre os três doadores dos terrenos à Igreja Católica que deram origem à cidade, Antônio Rodrigues do Prado, José Moreira e dona Maria Antônia Eufrazina (ou Flauzina) Alves da Cunha. O jornal chegou até a anunciar algumas semanas atrás que estava em busca dos descendentes dos fundadores de Vargem Grande do Sul para elaborar a presente matéria, especialmente os doadores dos terrenos à Sant’Ana.
Recebemos então, a ligação de José Luís Alves, 80 anos, aposentado, casado com Sandra Fiorini Alves e pai das filhas Carla e Laura Fiorini Alves, que afirmou ser descendente de Maria Antônia Eufrazina (ou Flauzina) Alves da Cunha, que seria sua trisavó por parte de pai. Dos outros dois doadores, Antônio Rodrigues do Prado e José Moreira, não houve retorno.


Explicou José Luís que até pouco tempo, não tinha conhecimento de seus ancestrais e que só veio a saber, quando o historiador Rodivaldo Cunha, que mora em Vargem e pesquisa também suas origens, o procurou, colocando a par de sua descendência.
“Tomamos conhecimento mais aprofundado desta bonita história, através do Rodivaldo Cunha, engenheiro, pesquisador, que mora em Vargem, que nos procurou depois de muito pesquisar para nos contar com detalhes sobre a genealogia da nossa família, que tem laços com os fundadores de Vargem Grande do Sul, através de dona Maria Antônia”, afirmou José Luís.
Ele então passa a falar da sua origem na entrevista que o jornal fez na residência de sua irmã, Regina Maura Alves, 83 anos, que também descende da doadora. Ambos são filhos de Carino Alves e Cleonice Sbardelini Alves. Seu pai é filho de José Alves de Melo e Maria Aparecida Pinto Alves, vindo José Alves a ser seu avô.
Por sua vez, José Alves de Melo é filho de Francisco Cândido Alves Cunha e dona Maria do Carmo Mello, vindo José Luís a ser bisneto de Francisco Cândido Alves, que é filho de Cândido Alves da Cunha com dona Maria Antônia Eufrazina ou (Flauzina, como consta em alguns documentos) Alves da Cunha, doadora do terreno para Sant’Ana e considerada uma das fundadoras de Vargem Grande do Sul.
Poucas lembranças tem José Luís Alves dos familiares mais antigos. Lembra da Chácara Alves, localizada às margens direita do Rio Verde, onde hoje é a casa da família de Zinho Ribeiro, já falecido, que fica no início da Rua João Garcia Miron, perto do Supermercado Milênio, onde seu pai nasceu. Naquela época todas as terras localizadas acima do Rio Verde pertenciam à Casa Branca, como era o caso da Chácara Alves.
“Todas estas terras indo para o lado do Paracatu, até São Sebastião da Grama, pertenciam a Cândido Alves da Cunha e dona Maria Antônia Flazina Alves da Cunha”, observou José Luís, ao falar das propriedades de seus trisavós.
Ao ser perguntado como se sentia em ser descendente de uma das fundadoras de Vargem, aliás a única mulher dentre os seis considerados fundadores do município, José Luís afirmou: “Eu fico muito feliz em saber que Vargem Grande do Sul saiu do sangue de alguém a quem nós pertencemos. É uma pena que com o passar dos anos e das gerações, vão sendo esquecidas estas pessoas que foram tão importantes para nossa história”.

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