Coletivo Sombras Libertárias une arte e ativismo em Vargem

Amanda de Oliveira concedeu entrevista à Gazeta

Grupo de artistas independentes leva pautas sociais e ambientais para as ruas por meio de performances, oficinas e intervenções visuais

Formado por artistas autônomos e engajados politicamente, o Coletivo Sombras Libertárias de Vargem Grande do Sul vem ganhando destaque em eventos culturais da região. No último dia 15, o grupo participou da Tijolada Cultural com uma intervenção sobre a Palestina que chamou atenção do público e gerou repercussão nas redes sociais.
Criado há cerca de dois anos a partir da união de amigos com ideais políticos em comum, o Sombras Libertárias nasceu com o propósito de unir arte e ativismo. “A gente quer transformar. Então nos unimos para levar acessibilidade, política pública e consciência crítica através da arte”, explica Amanda de Oliveira, uma das integrantes do coletivo.
Amanda, que tem 32 anos, é mãe de duas meninas, Ágatha e Clarice, e também atua como tatuadora ao lado do marido, Lester, artista responsável pela pintura do banner em solidariedade ao povo palestino, exibido na Tijolada Cultural. “Está acontecendo um genocídio. Como artistas e ativistas, não podemos nos calar. A omissão é cumplicidade”, afirma. O banner “Palestina Livre” foi capa do jornal Gazeta de Vargem Grande que circulou no sábado passado, dia 21 de junho, com a foto estampada na 1ª página do jornal.
Além de Amanda de Oliveira e Lester Armond Naves, casal artesão, tatuadores e produtores de eventos, o grupo é formado pela DJ e produtora musical Lisa Chao, pela produtora musical e performance (swing fire) Julia Santana, pela fotógrafa Eloisa Albieri, pelo malabarista e poeta Felipe Sartoris, pela atriz e produtora de teatro Cristal, pela dançarina e artista circense Beatriz, e pelo produtor de eventos e artesão Piter Aliende Cachola.
A ação no evento — que ocorreu durante uma mobilização global pelo fim da ocupação na Palestina — também contou com distribuição gratuita de zines com conteúdo político e artístico, incluindo informações sobre o conflito, poesia e reflexões sociais. O espaço da tenda Magia Subversiva reuniu curiosos e interessados, rendendo convites e novos contatos. “Foi uma faísca. Pessoas nos procuraram querendo participar do grupo ou entender mais sobre o tema”, relatou Amanda.
Além da causa palestina, o coletivo também levou à Tijolada o debate sobre o Projeto de Lei 2159, conhecido como “PL da devastação”, que flexibiliza o licenciamento ambiental no Brasil. “Por sermos povo, por estarmos entre os primeiros a sofrer os impactos desses crimes ambientais, precisamos nos posicionar”, disse Amanda, ressaltando que o grupo age de forma autônoma, sem depender de formações acadêmicas específicas.
Com artistas que atuam em diversas linguagens — DJ, pirofagia, pintura, artesanato —, o coletivo é aberto a novas colaborações. Interessados podem entrar em contato pelo Instagram do grupo: @sombraslibertarias. “A página foi hackeada, mas estamos reconstruindo e postando registros dos eventos. Nosso objetivo é acolher, aproximar e transformar através da arte”, concluiu Amanda.

Fotos: Arquivo Pessoal

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