Preço da batata não anima produtores neste início de safra

Esta semana teve início a colheita da safra de batata 2025 na região de Vargem Grande do Sul, da qual participam cerca de 10 municípios. Segundo apurou a reportagem do jornal, o preço da saca de 25k, após beneficiamento na máquina, estaria em torno de R$ 45,00, sendo que para o produtor o valor pago seria de R$ 35,00, um preço que não pagaria os custos de produção. Só para comparação, no início da safra do ano passado, o preço pago aos produtores variava de R$ 100,00 a R$ 110,00 a saca de 25 kg.
Conforme levantamento que constam na HFBRASIL.ORG.BR, feito por equipe Hortifrúti/Cepea, o preço médio da batata tipo ágata especial no atacado de São Paulo foi de R$ 63/sc na última semana, queda de 16,3% em relação à anterior; nos atacados de Belo Horizonte e do Rio de Janeiro, as médias permaneceram estáveis no período, em R$ 57/sc e R$ 63/sc, nesta ordem.
Segundo os pesquisadores do Hortifrúti/Cepea, “chuvas principalmente nas regiões Sul e Sudeste reduziram o ritmo de colheita, resultando em menor oferta. A demanda por batatas também diminuiu, devido ao final do mês, quando normalmente o poder aquisitivo da população é menor, pressionando as cotações e/ou limitando as altas de preços do tubérculo. Ainda conforme o Centro de Pesquisas, devido às geadas ocorridas na última semana, pode haver uma desaceleração da oferta, a depender da intensidade dos danos nas lavouras”, que apurou o jornal, não foram muitos na região.
Os produtores de batata vêm conseguindo nos últimos dois ou três anos, bons preços nas sacas de batata, mas este ano a situação complica um pouco neste início de safra, que deve aumentar seu ritmo de colheita nas próximas semanas. As perspectivas não seriam tão boas este ano.
Embora tenha geado na semana passada, os danos não foram grandes e o clima mais frio tem contribuído com a safra, com mais frio à noite e luz solar intensa durante o dia. Também o frio é importante no controle de pragas que atacam a batata.
A plantação vem se mantendo na região, com cerca de 10 mil hectares sendo plantados, com produtividade entre 800 a 850 sacos de 60kg por hectare. O jornal apurou que 80% dos produtores da região moram em Vargem Grande do Sul, sendo o maior município produtor o de Casa Branca. O plantio se estende desde São José do Rio Pardo, passando por Itobi, Casa Branca, Mococa, Palmeiras, Porto Ferreira, Aguaí, Mogi Guaçu e São João da Boa Vista.
O plantio de inverno na região é totalmente irrigado. A plantação teve início em meados de março e a safra começa a ser colhida em julho, devendo se estender por mais 100 dias, indo até meados de outubro.

Preço volátil
O preço da batata é volátil, variando durante todo o transcorrer da safra. Com a intensificação da colheita há maior oferta do produto, com tendência de o preço diminuir, o que pode agravar a situação dos produtores, principalmente os menores. Mas, com os bons resultados das últimas safras, os produtores estariam mais preparados para uma safra mais complicada. Isso, se os preços se mantiverem mais baixos.
Movimentando a cidade
Mesmo com os preços de início de safra não atendendo aos desejos dos produtores, a safra de batata movimenta milhões na cidade. Um cálculo aproximado, ao se multiplicar o número de sacas a serem colhidas por hectare, daria um valor que pode aproximar dos R$ 500 milhões.
Todo esse valor movimenta a economia da cidade e região. É dinheiro líquido que entra no mercado, principalmente os que são pagos aos trabalhadores da safra, hoje em torno de 1.500, entre aqueles que trabalham com o transporte, colhedores, quem trabalha com o beneficiamento. São profissionais cujo salário médio varia entre R$ 3.000,00 a R$ 3.500,00 por mês.
Destes trabalhadores, cerca de 600 vivem no município de Vargem, sendo que em torno de 1.000, devem vir de outros estados para trabalharem na safra deste ano. Durante os 100 dias que permanecem em Vargem, eles gastam no comércio local, contribuindo para o crescimento da cidade.

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