Setembro Amarelo: “Pedir ajuda pode salvar vidas”

SASP e CAPS promovem atividades sobre valorização a vida. Foto: Prefeitura

O tema suicídio esteve presente este ano em Vargem Grande do Sul, com muita discussão nas redes sociais e nos meios de comunicação da cidade, com a polêmica envolvendo um vereador municipal e também uma pessoa que teria passado por essa situação de atentado à própria vida.
A campanha Setembro Amarelo®️, criada em 2014 pela Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) em parceria com o Conselho Federal de Medicina (CFM), é hoje a maior iniciativa mundial de combate ao estigma em torno da saúde mental.
O objetivo é prevenir o suicídio e promover a valorização da vida. Em 2025, o lema da campanha é: “Se precisar, peça ajuda!”.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 700 mil pessoas morrem por suicídio a cada ano, com estimativas que ultrapassam 1 milhão de casos quando consideradas as subnotificações.
No Brasil, cerca de 14 mil suicídios ocorrem anualmente – uma média de 38 por dia. A maior parte dos casos está ligada a transtornos mentais não diagnosticados ou tratados inadequadamente.

Os jovens são especialmente afetados
Dados do Ministério da Saúde mostram um aumento preocupante nas taxas de mortalidade entre adolescentes nos últimos anos. O suicídio já é a quarta principal causa de morte entre pessoas de 15 a 29 anos, atrás apenas de acidentes, tuberculose e violência.
Apesar da gravidade do problema, apenas 38 países no mundo possuem estratégias nacionais de prevenção. O Brasil ainda enfrenta tabus sobre o tema, o que dificulta o acesso à informação e à ajuda profissional. A campanha destaca que falar sobre suicídio é essencial para que as pessoas em sofrimento sintam-se acolhidas e encontrem apoio.
Atenção, empatia e acesso ao psiquiatra são fundamentais para salvar vidas. Estar presente, ouvir sem julgamento e incentivar a busca por tratamento são atitudes que fazem a diferença. O símbolo do girassol, associado à campanha, representa esperança, luz e superação.

Ações marcam o Setembro Amarelo em Vargem Grande
Com sete casos de suicídios confirmados este ano junto à Polícia Civil de Vargem Grande do Sul e duas tentativas conforme informou a Guarda Civil Municipal (GCM), fora os casos que não são notificados, a cidade vive este aumento de casos que chama a atenção e são exponencialmente intensificados pelas redes sociais.
Nos dias atuais, com o advento da Internet, imagens comoventes de pessoas tentando o suicídio e sendo socorridas por populares ou pela GCM, tornam-se públicas atingindo milhares de vargengrandenses, impactando a todos.
O poder público municipal, através do Departamento de Saúde está atento ao problema e trabalha a questão envolvendo o suicídio e suas causas.
No dia 10 de setembro, data que simboliza o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio, a coordenadora de Saúde Priscila Manzoni informou ao jornal Gazeta de Vargem Grande que a rede municipal de Saúde Mental, por meio do SASP e do CAPS, promoveu uma série de atividades voltadas à conscientização e valorização da vida, dentro da campanha nacional do Setembro Amarelo.
As ações aconteceram ao longo de todo o dia. Pela manhã, os psicólogos Camila e Guilherme conduziram uma palestra com o tema “Setembro Amarelo: O amor e a esperança são as lanternas da vida”. O encontro buscou esclarecer dúvidas sobre sentimentos de desesperança, fatores que podem levar ao suicídio e formas de enfrentamento emocional por meio de hábitos saudáveis, redes de apoio e reflexão pessoal. O evento também explorou a arte como forma de expressão emocional, com análise de obras que dialogam com a temática da vida, sofrimento e superação.
Em seguida, foi promovida uma roda de conversa, que abriu espaço para depoimentos comoventes, troca de vivências e reflexões sobre o valor da vida, além da construção de repertórios emocionais para lidar com momentos difíceis.
Durante a tarde, os participantes assistiram ao filme “Soul”, seguido por novo momento de diálogo. A animação serviu como ponto de partida para conversas sobre propósito de vida, pequenos prazeres cotidianos e autocuidado.
Ao longo do dia, também foi oferecido plantão psicológico para escuta e acolhimento, destinado a quem precisasse conversar ou buscar orientação emocional.
A coordenadora Priscila destacou que a mobilização teve como objetivo principal incentivar a sociedade a olhar com mais atenção para os sinais de sofrimento emocional e promover ações coletivas de prevenção ao suicídio. “Trata-se de uma campanha nacional, mas que precisa ser vivenciada localmente com a participação ativa da comunidade e dos profissionais da rede de apoio”, ressaltou.
O evento reuniu usuários atendidos pelo CAPS e SASP, estudantes da área da saúde e profissionais da rede socioassistencial. A iniciativa contou com o apoio da Prefeitura Municipal, por meio do Departamento de Saúde e da Medicina Preventiva.
A coordenadora ainda lembrou que o atendimento à saúde mental acontece de forma contínua no município. Casos de tentativas de suicídio são tratados como emergências e recebem acolhimento imediato no PPA ou Hospital Municipal, com encaminhamento posterior para atendimento especializado, incluindo psicoterapia individual e em grupo, apoio familiar e, quando necessário, internação.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor insira seu comentário
Por favor insira seu nome aqui