Moradores relatam aumento de escorpiões em bairros de Vargem e cobram providências

Cidade registrou 38 acidentes com escorpiões neste ano; população deve permanecer em alerta, evitar acúmulo de materiais, mato alto e em caso de picadas, lavar área com água e sabão e procurar atendimento médico com urgência. Foto: Reportagem

Moradores de diferentes bairros de Vargem Grande do Sul relataram ao jornal Gazeta de Vargem Grande o aumento no aparecimento de escorpiões em áreas urbanas, situação que tem gerado preocupação e sensação de insegurança dentro das residências.
Um dos casos é o da moradora Rosana Aparecida, de 52 anos, do Jd. Paulista, que encontrou diversos animais em sua casa entre o fim de novembro e o início de dezembro e prosseguiram nos meses seguintes. O primeiro escorpião foi localizado enquanto ela realizava a limpeza do quintal. “Eu estava limpando o quintal e ele estava debaixo do botijão de gás”, contou. Ao verificar o local, percebeu que havia outros. “Era um escorpião grande e mais uns 16 filhotes.”

Rosana encontrou mais de 16 escorpiões em casa.
Foto: Reportagem

Após o primeiro encontro, novos animais começaram a surgir em outros cômodos. “Depois a gente foi achando mais, dois no banheiro e mais um na sala.” Ao todo, segundo ela, cerca de 20 escorpiões foram encontrados. A situação gerou medo na família. “Ficamos com muito medo por causa dos meus netos, a casa vive cheia de crianças.” Apesar disso, ninguém foi picado.
A Vigilância Sanitária foi acionada e orientou sobre medidas preventivas, como vedação de frestas e instalação de telas em ralos. “Eles pediram pra tampar todos os buracos que tinha. A gente colocou telinhas em todos os ralos.” Após as ações, o problema foi controlado.
No bairro Santo Expedito, outra moradora relatou que convive com a presença frequente dos animais há cerca de 10 meses. O primeiro escorpião foi encontrado pelo marido dentro do quarto, indo para debaixo da cama. Desde então, aproximadamente 20 animais já apareceram, principalmente em locais escuros, como cantos de parede, debaixo da cama e no lixo do banheiro.
Sem crianças na casa, a preocupação maior é com os animais de estimação. “A preocupação é ser picado ou picar um animal nosso.” Ela afirma que utiliza produtos como removedor e sabão de querosene para tentar combater os escorpiões, mas o problema persiste. “São surpresas, quando menos espera eles aparecem.” A moradora também cobra ações conjuntas. “A limpeza é primordial, tanto da população quanto das autoridades.”
Já no Jardim Dolores, duas moradoras afirmam que o bairro enfrenta uma situação crítica. Regina Lucas relata que a casa da filha, mesmo sendo recém-construída e sem acúmulo de lixo, apresenta grande quantidade de escorpiões. Cansada de eliminar os animais, ela passou a armazená-los em um vidro para contagem.
Regina também relembra um episódio envolvendo o neto. “O Miguel foi picado no ano passado, ficou um dia no Hospital em observação pelo Dr. Fábio Visconde. Eu levei o escorpião para ele ver. Quando deu alta, disse para observar e voltar correndo se precisasse. Graças a Deus foi um livramento, porque foi daquele amarelo que picou ele. O doutor nos disse que o Miguel é muito forte.”
Outra moradora do bairro, Josiele Vicente, relata que também foi vítima. Segundo ela, foi picada dentro de casa há cerca de dois meses. “A dor é insuportável, precisei de atendimento médico, mesmo não precisando do soro, não tem como aguentar a dor somente com medicação em casa” afirmou.
Diante dos relatos, o jornal entrou em contato com a Vigilância Sanitária. De acordo com o responsável, Alessandro Souza, somente no início de 2026 até o mês de abril foram registrados 38 acidentes com escorpiões no município, além de 7 reclamações formais de aparecimento sem ocorrência de picadas.
O órgão reforça que a prevenção é a principal forma de combate. Entre as orientações estão evitar o acúmulo de materiais como telhas, madeiras, tijolos e lixo, vedar ralos e frestas, além de combater baratas e outros insetos que servem de alimento para os escorpiões.
A Vigilância também destaca que os escorpiões têm maior atividade em períodos quentes e chuvosos, quando são intensificadas ações como palestras em escolas, panfletagem e campanhas de conscientização. O atendimento a ocorrências é realizado ao longo de todo o ano por agentes de combate a endemias.
Em caso de picada, a recomendação é lavar o local com água e sabão e procurar atendimento médico imediatamente, especialmente no caso de crianças e idosos, que são mais vulneráveis. Quando necessário, o soro antiescorpiônico é disponibilizado em municípios de referência da região, como São João da Boa Vista, que atende também cidades como Aguaí, Espírito Santo do Pinhal, Águas da Prata e Santo Antônio do Jardim.
Moradores ouvidos pela reportagem reforçam a necessidade de ações mais efetivas por parte do poder público, incluindo limpeza urbana, fiscalização de terrenos e campanhas educativas. Para eles, o combate aos focos deve ser contínuo, envolvendo tanto autoridades quanto a população, para garantir mais segurança dentro das residências.

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