Namoro e futebol

No próximo dia 12 de junho é comemorado o Dia dos Namorados. O colaborador da Gazeta, José Alberto Aguilar Cortez, que é professor e doutor em Educação Física, escreveu o texto abaixo para a Jovem Pan há 20 anos atrás, mas o texto continua tão atual, quanto na época. Por isso, a Gazeta está republicando o artigo do professor para a apreciação dos leitores apaixonados do jornal e que ainda se emocionam quando o amor e suas implicações é o tema principal.

Dia dos Namorados

José Alberto Aguilar Cortez – 2006

Seria inadmissível perder a oportunidade de falar sobre o caráter lúdico e competitivo do amor no dia dos namorados. Namorar também é uma atividade física saudável, um jogo de ataque e defesa que quando bem-sucedido não tem perdedores. Como todo jogo, namorar depende da combinação equilibrada do emocional, do físico, do tático e do técnico. Violência? Nem pensar! Por mais arrojadas que sejam as investidas de ataque, em qualquer setor do campo de jogo, ninguém deve cometer faltas. Em lances de interpretação duvidosa, ou situação clara de impedimento, o jogo pode ser interrompido, mas, reiniciado imediatamente, próximo da zona de perigo para evitar que os jogadores percam o aquecimento. Jogadas mais ríspidas, apenas de olhares penetrantes para tentar disfarçar as intenções de quem ataca e quem defende. Apesar da adrenalina, no jogo do namoro a corte e a paquera são sempre mais difíceis de marcar do que a cantada explícita. Para namorar não é preciso ter fôlego de maratonista nem explosão de um corredor de cem metros rasos. O namoro não deve se prolongar a ponto de levar a exaustão sem êxito e nem durar os efêmeros dez segundos necessários para ficar perto do recorde de velocidade sem desfrutar o percurso. Para ser bom enquanto dure o amor precisa ser como o futebol; alternar o tipo, a duração e a intensidade dos movimentos. Cada momento do namoro exige um desempenho físico compatível com o clima do jogo. No que diz respeito às táticas, as experiências anteriores são fundamentais para as tomadas de decisão. Ajudam muito na identificação do melhor momento para o abraço e para o beijo, também facilitam arriscar jogadas de profundidade com mais chances de chutar a gol, mas, não podemos desprezar as táticas elaboradas de improviso quando a técnica de cada um permite explorar a criatividade nos rituais de sedução. Nem seria preciso destacar a importância da técnica, no namoro o toque tem que ser sutil e, ao contrário do futebol, usar as mãos não é motivo para paralisar a jogada, principalmente quando provoca reações favoráveis e é usada para fragilizar as situações defensivas. Também é bom lembrar que, apesar das semelhanças com o futebol, o namoro jamais pode ser praticado de quatro em quatro anos, como a Copa do Mundo. Namorar é uma modalidade de esporte para ser praticada diariamente e é a única que os praticantes vão felizes para a concentração.

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