Solidariedade e ajuda a quem mais precisa
O inverno começa oficialmente neste domingo, 21 de junho, e já chega acompanhado de uma primeira e significativa onda de frio. Uma grande massa de ar polar avança pelo interior da América do Sul e, segundo o Climatempo, Vargem Grande do Sul deve registrar mínimas de 15°C neste final de semana, com o frio se aprofundando ainda mais ao longo da semana que vem. Para quem tem casa, cobertor e fogão aceso, são dias de cuidado e agasalho. Para quem dorme na rua, são dias de risco.
É justamente nesse contexto que a ausência da Casa de Passagem pesa com força. A estrutura que por anos serviu de acolhida para a população em situação de rua deixou de funcionar no final do ano passado, e a responsabilidade pelo atendimento a esse público passou a ser assumida diretamente pelo poder público municipal. A transição, porém, não apagou uma lacuna que todos sentem: Vargem Grande do Sul tem pessoas vivendo nas calçadas, e o inverno não espera por soluções administrativas.
No meio dessa realidade, há uma mulher que não espera. Fernanda Bocaiuva, mãe de sete filhos e avó de dez netos, carrega na própria vida a história de quem conheceu a rua por dentro. Durante anos usuária de entorpecentes, enfrentou a fome antes de encontrar, na fé, a força para se libertar do vício. E foi nessa mesma fé que nasceu uma promessa: se saísse das drogas, trabalharia para ajudar quem ainda vivia o que ela tinha vivido.
Essa promessa tem nome. Chama-se Sopa Solidária, e completa nove anos de funcionamento. Começou com uma lata de molho de tomate e um pacote de macarrão. Hoje, Fernanda produz até 150 marmitas por semana, distribuídas para pessoas em situação de rua e usuários de drogas na cidade. “Onde os usuários estão, eu levo as marmitas. Eu conheço essa realidade porque um dia ela também foi minha”, conta Fernanda.
A história de Fernanda e do projeto Sopa Solidária revela a urgência de problemas de pessoas que precisam de ajuda agora. E quem costuma aparecer primeiro para enfrentá-los são as pessoas comuns, as que já estiveram lá, as que foram tocadas por uma história.
O inverno que começa neste domingo é também um convite à consciência coletiva. Quem puder contribuir com o projeto da Fernanda, com legumes, verduras, temperos, cobertores, roupas, pode fazer contato com a Igreja Pentecostal no Jardim Dolores, onde desenvolve o seu projeto. Vargem Grande do Sul tem gente boa. Tem gente que doa sem querer aparecer, que cozinha para desconhecidos, que para o carro para entregar um cobertor. Este frio que chega não vai vencer, porque a cidade quando se une, é mais quente do que o inverno.












