A primeira Copa do Mundo da história foi disputada em julho de 1930 no Uruguai, único país candidato a sediar o torneio inaugural organizado pela Fifa. Todas as partidas foram realizadas na capital Montevidéu, em três estádios: o Centenário, o Gran Parque Central e o Pocitos. No dia 13 de julho, dois jogos foram disputados simultaneamente às três da tarde: Estados Unidos contra Bélgica no Gran Parque Central, e França contra México no Estádio Pocitos, casa do Peñarol à época. Foi justamente nesse segundo confronto que nasceu o primeiro gol da história das Copas do Mundo, marcado pelo francês Lucien Laurent aos 19 minutos, em uma partida encerrada com vitória da França por 4 a 1.
Décadas mais tarde, o próprio Laurent comentou o feito: em entrevista ao jornal britânico The Independent em 1989, disse que seu gol não havia sido “nada especial” e que simplesmente finalizara de voleio um cruzamento vindo pela direita. “Por aquelas épocas não poderia ter imaginado a importância que o gol ia ter. Não sabíamos que a Copa do Mundo iria perdurar”, reconheceu Laurent, que faleceu em 2005.
O Estádio Pocitos, palco daquele momento histórico, não existe mais. O campo se tornou obsoleto já em 1933, quando o Peñarol passou a utilizar o Centenário como sua casa, e em 1940 foi demolido para ceder espaço à crescente urbanização de Montevidéu, dando lugar a ruas, casas e comércios. Décadas depois, um mapeamento da região identificou exatamente onde era o gramado e suas linhas, trabalho que deu origem a monumentos instalados nos arredores da rua Charrúa com Coronel Alegre, no bairro de Pocitos.
Hoje é possível visitar dois marcos no local onde ficavam o arco do gol e o círculo central. Quem percorre aquela esquina encontra na calçada uma estrutura que representa uma trave de gol, sinalizando para os turistas onde, há quase um século, o futebol mundial deu seus primeiros passos. Há também uma placa mostrando onde o francês Laurent marcou o primeiro gol da história dos mundiais.
Foi esse local que o vargengrandense Rafael de Carvalho, escriturário, que viajou a Montevidéu em agosto do ano passado, fez questão de conhecer. Ele enviou à Gazeta de Vargem Grande imagens desses marcos e reconheceu que seria necessário dar mais importância turística a esse fato histórico. “O estádio não existe mais, porém demarcaram o local”, explicou. “Não divulgam muito o local, uma pena”, afirmou, destacando que justamente por ser época de Copa do Mundo, seria um momento interessante de fazer esse resgate histórico.
Fotos: Arquivo Pessoal













