Editorial: Insegurança das rodovias

O acidente que vitimou pai e filho de uma família divinolandense no início dessa semana na Rodovia SP-344, em Vargem Grande do Sul, causou grande comoção e voltou a levantar um debate sobre a melhoria da segurança neste trecho da via. Uma das alternativas para evitar a ocorrência de mais acidentes é a que está sendo implementada pela autoridade de trânsito, limitar a velocidade exercida neste trecho, com a instalação de radares de fiscalização.
O controle de velocidade com radares é sempre controverso, com muitos usuários das rodovias apontando que se trata mais de uma medida para aumentar a arrecadação do que para conscientizar sobre o perigo de estar mais rápido do que o indicado para a pista. No entanto, por mais que muitas pessoas critiquem o rigor na fiscalização, o fato é que a cada quilômetro por hora a mais no marcador de velocidade do carro, mais chances dos condutores se envolverem em um acidente e maior a probabilidade de ferimentos graves e fatalidades.
Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) mostram que a cada aumento de 1% na velocidade média produz, por exemplo, um aumento de 4% no risco de acidente fatal e um aumento de 3% no risco de acidente grave. O risco de morte para pedestres atingidos frontalmente por automóveis aumenta 4,5 vezes de 50 km/h para 65 km/h, por exemplo. Já no choque entre carros, o risco de morte para os ocupantes é de 85% a 65 km/h.
De acordo com artigo do médico Dirceu Rodrigues Alves Júnior, membro da Associação Brasileira de Medicina do Tráfego (Abramet), numa colisão, o fígado que tem um peso médio de 1,7 kg, a 100 km/h terá o peso de 47 kg. O coração que tem 0,3 kg passa a 8 kg. O rim com 0,3 kg passa a 8 kg. O cérebro com seus 1,5 kg passa para 42 kg. O baço sai de 0,15 kg para 4 kg. Segundo o médico, a 100 km/h o corpo pesa cerca de 28 vezes mais. O especialista explica que esse aumento do peso dos órgãos pode produzir ruptura, arrancamento, deslocamento e outros, um quadro gravíssimo dentro do abdômen da vítima. Isso quando não há fraturas evidentes e outros traumas.
Em seu artigo, o médico ressalta que quanto mais velocidade, maior é a dificuldade de frenagem, maior a possibilidade de colisão de alta energia e maior a possibilidade de óbito e lesões graves. Segundo ele, essas evidências justificam os responsáveis pela segurança das vias em atuarem de maneira mais incisiva no controle da velocidade.
A população e as autoridades municipais devem seguir exigindo que o Estado e as concessionárias responsáveis pelas rodovias privatizadas invistam em mecanismos que diminuam a insegurança das vias, com melhores traçados, mais áreas de escape, melhor drenagem, ampliação de acostamentos e de trechos duplicados, por exemplo. Mas também cabe a cada condutor seguir as leis de trânsito, respeitar limites de velocidade, ser consciente e dirigir defensivamente para que as rodovias do país se tornem mais seguras.

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