Na Argentina, vargengrandense conta como governo de país vizinho tem lidado com a epidemia

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Shabrina, o marido e a filha na última viagem ao Brasil, em novembro de 2019. Foto: Arquivo Pessoal

A Gazeta de Vargem Grande tem publicado relatos de vargegnrandenses que moram fora do país, para contar como diferentes governos tem combatido a pandemia de covid-19, doença causada pelo novo coronavírus. Assim, a reportagem entrevistou Shabrina Coelho, que há 4 anos mora com o marido e a filha em Buenos Aires, capital da Argentina. Até o sábado, dia 11, o país vizinho registrava 1.975 casos positivos da doença e 83 mortes, com 440 pessoas recuperadas.
Ela comentou que os primeiros casos de covid-19 na Argentina apareceram no começo de março, precisamente no dia 7. “Desde o princípio, senti uma comoção grande vindo da população e do governo. Aproximadamente uma semana depois, grande parte das pessoas aderiram a quarentena voluntária”, comentou. “Porém, antes mesmo do primeiro caso, o Ministério da Saúde estabeleceu um protocolo para hospitais, clinicas privadas e aeroportos em caso de pacientes que apresentassem os sintomas”, disse.
“Senti que de alguma maneira estávamos preparados para o que ainda estava por chegar. Até há pouco tempo atrás, os casos eram rastreados e não havia contaminação comunitária. Se tratava de pessoas que haviam estado no exterior ou contatos próximos ao mesmo”, afirmou.
Segundo Shabrina, no dia 15 de março, todas as instituições de ensino foram fechadas. O governo disponibilizou a licença de trabalho para algum maior responsável permanecer em casa com a criança. “E nesta mesma semana, na noite do dia 19 de marco, havia 97 infectados, 3 mortes e 16 recuperados. Foi declarada a quarentena obrigatória nacional e as fronteiras interditadas. Somente alguns setores do comércio como farmácias, supermercados, frutarias, padarias poderiam seguir em funcionamento”, contou.
“Desde o começo, a ideia do governo era conter a pandemia. O pronunciamento do presidente Alberto Fernandez sempre foi claro, que estavam trabalhando duro para conter a pandemia, acolher os trabalhadores autônomos e mais necessitados”, comentou. Disse porém, que as penas para aqueles que nao cumprissem o isolamento seriam severas, como prisão de 6 meses a 2 anos e multa de $ 5.000 a $ 100.000 pesos argentinos para descumprimento do isolamento social. “Hoje são mais de 32.000 detidos no pais. Saídas permitidas somente para ir ao supermercados e farmácias próximo a casa e para pais separados que compartilham a guarda do filho”, afirmou.
Shabrina disse que a quarentena obrigatória segue até este domingo, dia 12, mas que é dado como certo que o governo irá prorrogar a medida. “Alguns setores comerciais terão uma flexibilidade, mas a volta às aulas, por exemplo ainda não sabemos quando ira acontecer”, afirmou.

Rotina

“Vivo com meu marido e minha filha, Maria Elisa, de 3 anos. As aulas aqui começam um pouco mais tarde, e estávamos na semana de adaptação, toda empolgação para a nova escola. Foi um longo processo explicar o porque de toda essa mudanca. Para nós, adultos já é difícil entender, imagina para uma criança que tinha sua rotina e que ia ao parque diariamente, que sempre estava com seus avós e de repente é privada de todo o contato social”, lamentou Shabrina.
“Potencializamos nossa criatividade, e criamos maneiras de passar o tempo de forma saudável: cozinhamos juntos, pintamos, fazemos circuito de gincana entre os móveis e escadas da casa, evitando o máximo possível o uso da televisão. Mas e confesso que às vezes o Pocoyo nos salva”, disse. “Eu costumo brincar que depois dessa quarentena vamos sair preparados para quase tudo”, brincou.

Empatia e saudades

“Senti que essa quarentena despertou um sentimento de empatia nas pessoas, a olhar ao próximo com mais cuidado. A valorizar ao pequeno negócio, ao mercadinho da esquina, ao amigo padeiro, aos que trabalham nas entregas de produtos. Espero que isso permaneça depois que tudo isso terminar e que repensemos nossos consumos excessivos”, avaliou.
“Diarimente falo com meu pai Richard e minha família por vídeo chamada e é assim que minha filha vai aprendendo o português, tem dia que ela ensina o avô a falar espanhol”, falou. “A saudade é muito grade e também temor de não saber quando tudo isso vai terminar para que possamos ir correndo abraçar minha família e comer a coxinha da Kibom”.
“Espero que os chefes de governos brasileiros entendam que não se trata somente de uma gripezinha e que sim, a economia não pode parar, porém não dá para pagar o preço com vidas”, finalizou.

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